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estetoscópio pendurado no pescoço do médico

Sífilis: lesões cutâneo-mucosas e revisão do tratamento

Tempo de leitura: 3 minutos.

O terceiro sábado de outubro de cada ano passará a ser o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, data aprovada no Plenário do Senado em março de 2017 pela PLC 146/2015. O texto prevê que profissionais e gestores de saúde sejam incentivados a participar de campanhas de esclarecimento à população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico e do tratamento da sífilis na gestante durante o pré-natal e da sífilis, em ambos os sexos, como doença sexualmente transmissível.

Desde 2010, quando a sífilis entrou na lista das doenças de notificação compulsória, foram notificados quase 228 mil novos casos; só entre 2014 e 2015 houve um aumento de 32% nos casos entre adultos – e mais de 20% em mulheres grávidas.

A maior parte dos casos está na região Sudeste (56%), a mais urbanizada e desenvolvida do país. Só para ter uma ideia do desastre, em 2015 tivemos 6,5 casos de bebês infectados a cada mil nascidos vivos; o valor é 13 vezes maior do que a Organização Mundial da Saúde considera aceitável. Nesse mesmo ano, o número total de casos notificados de sífilis adquirida no Brasil foi de 65.878. No mesmo período, a taxa de detecção foi de 42,7 casos por 100 mil habitantes, sendo a maioria em homens, 136.835 (60,1%).

Causada pela bactéria treponema pallidum, a doença mostra evolução que alterna períodos de atividade com características clínicas, imunológicas e histopatológicas distintas (sífilis primária, secundária e terciária) e períodos de latência (sífilis latente), essa última dividindo-se em recente quando diagnosticada em até um ano da evolução, e tardia quando após 1 ano.

Deve-se estar atento aos pacientes que apresentam lesões maculopapulares cutâneas (roséolas sifilíticas), lesões em mucosa oral tanto em palato duro quanto mole (placas mucosas), linfonodomegalias, febre sem foco definido e artralgias, para a hipótese diagnóstica de sífilis.

O grande desafio hoje é diagnosticar os pacientes com a fase latente da doença o qual encontra-se infectado pela sífilis, porém com ausência de sintomas. A bactéria está presente, mas o diagnóstico só pode ser feito com testes sorológicos.

placa mucosa
Placa mucosa (Arquivo pessoal)

 

Amigdalite
Amigdalite (Arquivo pessoal)

 

Roséolas Sifilíticas
Roséolas Sifilíticas (Arquivo pessoal)

 

O tempo e dose do tratamento depende da fase em que se encontra a doença.

TRATAMENTO

Sífilis primária e secundária

– Penicilina benzatina 2.400.000 IM (1.200.000 em cada nádega) dose única
– Alérgicos à Penicilina: Doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 14 dias

Sífilis latente recente (< 1 ano de infecção)

– Penicilina Benzatina 2.400.000 IM ( 1.200.000 em cada nádega) dose única
– Alérgicos à Penicilina: Doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 28 dias

Sífilis latente tardia ou de duração desconhecida

– Penicilina Benzatina 2.400.000 IM (1.200.000 em cada nádega) por semana, por 3 semanas
Obs: Se qualquer dose atrasar mais que 2 dias , deve-se reiniciar o tratamento na primeira dose
Alérgicos à Penicilina: Doxiciclina 100 mg VO 12/12 h 28 dias

Sífilis terciária

– Realizar punção lombar para excluir neurossífilis
– Penicilina Benzatina 2.400.000 IM (1.200.000 em cada nádega) por semana, por 3 semanas

Neurossífilis ou sífilis ocular

-Penicilina Cristalina 3 – 4.000.000 IV 6/6 h por 10 a 14 dias
Alternativas: Ceftriaxone 2 g IV 24 h por 10 a 14 dias

Pacientes HIV positivo

– Primária , secundária e latente recente: mesmas doses de pacientes HIV negativos
– Sífilis latente tardia ou de duração desconhecida requer punção lombar para excluir neurossífilis. Se excluída, tratar como em pacientes HIV negativo

  • Gestantes

Sífilis primária, secundária e latente recente

– Penicilina benzatina 2.400.000 IM (1.200.000 em cada nádega) dose única
– Alérgicas a Penicilina: desensibilização
– Se dessensibilização não for possível: Eritromicina 500 mg 6/6 h por dia ou Ceftriaxone 1 g IM 1 vez por dia por 10 a 14 dias ou Azitromicina 2g VO dose única

Sífilis latente tardia ou de duração desconhecida

– Penicilina benzatina 2.400.000 IM (1.200.000 em cada nádega) por semana, por 3 semanas

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Autor:

4 Comentários

  1. Maria Da Graça Craveiro Freitas

    É muito importante sabermos de todos os tipos de doenças para nos prevenir e tomar todos os cuidados possíveis. Parabéns Bruno.

  2. Matéria muito bem elaborada e com grande utilidade .Parabens DR BRUNO.

  3. Com quanto tempo os cancros nas mãos e nos pés se cicatrizam depois de fazer o tratamento?

    • GERALMENTE AS LESÕES LEVAM EM MEDIA MAIS OU MENOS 30 DIAS PARA SUMIR APOS A APLICAÇÃO DA DOSE CORRETA E DEPENDENDO DA FASE DA DOENÇA.

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