Simpósio Brasileiro de Covid-19: PCR no paciente pronado

Tempo de leitura: 2 min.

A posição prona tem sido muito comentada neste período de pandemia de Covid-19, sendo indicada no manejo da doença, quando o paciente está intubado e apresenta p/f menor que 150 ou, até mesmo, precocemente com o paciente acordado, visando melhorar a oxigenação.

Durante o Simpósio Brasileiro de Covid-19, realizado ontem, 26, online, uma palestra, do Dr. Vinicio Elias, falou sobre Parada Cardiovascular (PCR) no paciente pronado.

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PCR no paciente pronado

Ele iniciou contextualizando três situações principais em que estas duas situações se relacionam:

  • PCR como complicação da ventilação em posição prona.
  • PCR ao longo de intervenção em posição prona (tratamento da SDRA, neurocirurgia, cirurgia de coluna.
  • Ressuscitação cardiopulmonar intencional em posição prona (RCP reversa).

As diretrizes da American Heart Association (AHA) para ressuscitação em pacientes com Covid-19 traz algumas orientações importantes:

  1. Reduzir a exposição da equipe: correta paramentação, número limitado de pessoas na cena, equilíbrio entre não retardara RCP e a segurança do paciente.
  2. Minimizar formação de aerossol: filtro HEPA, IOT antecipada e conexão ao ventilador, via aérea supraglótica no caso de retardo de IOT.
  3. Considerar adequação da RCP: antecipar metas e definir níveis de cuidado.

No guideline da AHA de 2010, temos a seguinte orientação: “Quando o paciente não pode ser colocado em decúbito dorsal, pode ser razoável que os socorristas forneçam RCP ao paciente em decúbito ventral, particularmente em pacientes hospitalizados com vias aéreas avançadas.”

Leia também: Covid-19: posição prona espontânea pode ter resultados positivos?

Sendo assim, não precisamos colocar o paciente em decúbito dorsal novamente para iniciar as manobras.

Este mesmo guideline, também nos orienta com relação aos parâmetros para fazermos uma RCP de alta qualidade:

  • Compressões com frequência entre 100 a 120 por minuto;
  • Depressão do tórax entre 5 a 6 cm;
  • Pleno retorno do tórax na fase de compressão;
  • Mínimas interrupções;
  • Evitar hiperventilação.

Qual é a melhor posição para RCP em paciente pronado?

Há duas posições possíveis:

Reprodução | Imagem disponibilizada na palestra. Fonte original: https://www.emnote.org/emnotes/prone-cpr
Reprodução | Imagem disponibilizada na palestra. Fonte original: https://www.emnote.org/emnotes/prone-cpr

É necessário colocar um suporte ao esterno, que pode ser feito com um frasco de soro por exemplo.

Caso o paciente esteja com via aérea avançada, deve-se ajustar os parâmetros ventilatórios:

  • Fração inspirada de O2: 1,0;
  • Volume corrente: 500 a 600 mL;
  • Frequência respiratória: 10 irpm;
  • Tempo inspiratório: 1s;
  • PEEP 0.

As compressões devem ser feitas sem interromper as ventilações, o PETCO2 ideal é maior que 10 mmHg e precisamos manter o circuito com sistema fechado (sem desconexões).

Veja também: Diretrizes de RCP pediátrica e adulta no paciente com suspeita ou confirmação de Covid-19?

Como realizar a desfibrilação?

  • Isolar o paciente;
  • 100 a 200 J para onda bifásica e 360 J para onda monofásica;
  • Manter compressões enquanto o desfibrilador está carregando;
  • Retornar compressões imediatamente após o choque;
  • Reavaliar o rimo e pulso a cada 2 minutos.

Como posicionar os eletrodos?

Temos duas posições possíveis:

Reprodução | Imagem disponibilizada na palestra. Fonte original: https://www.emnote.org/emnotes/prone-cpr
Reprodução | Imagem disponibilizada na palestra. Fonte original: https://www.emnote.org/emnotes/prone-cpr

Veja também um resumo do Congresso Online de Medicina de Emergência contra o Covid-19 (COMECC19), realizado pela ABRAMEDE São Paulo, no início do mês.

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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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