Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Anestesiologia / Síndrome compartimental da perna sadia após cirurgias abdominopélvicas

Síndrome compartimental da perna sadia após cirurgias abdominopélvicas

Acesse para ver o conteúdo
Esse conteúdo é exclusivo para usuários do Portal PEBMED.

Tenha acesso ilimitado a todos os artigos, quizzes e casos clínicos do Portal PEBMED.

Faça seu login ou inscreva-se gratuitamente!

Preencha os dados abaixo para completar seu cadastro.

Ao clicar em inscreva-se, você concorda em receber notícias e novidades da medicina por e-mail. Pensando no seu bem estar, a PEBMED se compromete a não usar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.

Inscreva-se ou

Seja bem vindo

Voltar para o portal

A síndrome compartimental da perna sadia (SCPS), apesar de não ser uma condição muito frequente, acometendo cerca de 0,01 a 0,03 pacientes submetidos a cirurgias abdominopélvicas, ocorre principalmente em pacientes submetidos a esse tipo de procedimento em posição de litotomia agravada pelo cefalodeclive, sem lesão preexistente, seja ela traumática ou vascular.

Síndrome compartimental da perna sadia

A síndrome compartimental é definida quando a pressão compartimental da fáscia excede a pressão de perfusão local causando isquemia e posterior necrose da região, caso não seja diagnosticada e tratada em tempo hábil. A posição de litotomia favorece a diminuição de perfusão dos membros inferiores, agravada pelo cefalodeclive que irá promover diminuição da oxigenação local com liberação de lactato e outros metabólitos levando a lesão do endotélio capilar e ao acúmulo de plasma e líquidos no interstício, aumentando a pressão intracompartimental.

Em algumas situações onde ocorre o reposicionamento dos membros pode haver lesão de reperfusão com a liberação nesse momento de radicas livres e outros mediadores vasoativos que irão aumentar a lesão endotelial agravando o edema intersticial. A pressão intracompartimental local normalmente encontra-se em torno de 0 a 8 mmHg. Manifestações clínicas da SCPS começam a aparecer com pressões em torno de 30 mmHg.

cadastro portal

Alguns fatores de risco estão mais relacionados ao aparecimento da síndrome. Entre eles podemos citar:

  1. Idade: quanto mais jovem for o paciente mais predisposto ele está pois pacientes jovens apresentam maior volume muscular e uma fáscia muscular mais grossa e rígida. Além disso, esses tipos de procedimentos em pacientes jovens tendem a ser mais demorados que na população mais idosa.
  2. Obesidade: pacientes com IMC maior que 25 são mais suscetíveis a apresentar a síndrome. Ocorre uma maior pressão e compressão do abdome e extremidades por conta do peso corporal o que contribui para o maior comprometimento da pressão nos compartimentos dos membros inferiores.
  3. Tipo e duração do procedimento: cirurgias abdominopélvicas de longa duração com paciente em litotomia e cefalodeclive são fatores importantes para o aparecimento da SCPS. Em cirurgias de longa duração, deve-se iniciar o procedimento com o paciente em posição supina e só posicionar o paciente no momento principal. As posições dos joelhos e tornozelos afetam diretamente a perfusão compartimental dos membros. Deve-se, portanto, tomar muito cuidado com a posição dos membros, assim como com a colocação de dispositivos de compressão como faixas manuais ou pneumáticas que podem comprometer ainda mais a perfusão da região. Esses dispositivos,caso necessários, devem ser utilizados em procedimentos de curta duração. Outras condutas de antitrombóticas devem ser utilizadas.
  4. Tempo: o fator mais importante para o aparecimento da SCPS é o tempo. Quanto mais o paciente permanecer na posição de litotomia com cefalodeclive, maiores as chances do acontecimento da síndrome. A cada 4 horas de duração, deve-se reposicionar o membro para aliviar a tensão nos compartimentos. Na maioria dos casos reportados, a cirurgia teve duração maior que 7 horas. É recomendado que se espere 15 minutos até o reposicionamento do membro. O reposicionamento do membro durante o ato cirúrgico não apresentou nenhum aumento dos risco de infecção no sítio operatório.
  5. Fluidoterapia: É sabido atualmente que não se deve hidratar em demasia o paciente durante o ato cirúrgico. Porém, nessas circunstâncias, evidenciou-se que uma conduta restritiva de hidratação piora a perfusão tecidual e aumenta os riscos de SCPS. Nesses casos,uma hidratação mais agressiva nos pacientes possíveis é indicação.

Leia também: Terapia de fluido restritiva x liberal em cirurgia abdominal: qual a melhor proposta?

Apresentação clínica e diagnóstico

Os sinais e sintomas relacionados a síndrome se caracterizam por dor de forte intensidade, constante, comumente bilateral, mas podendo ser unilateral, que não cede a analgésicos comuns e que piora com a movimentação dos membros, imediatamente após o procedimento ou em até 24 horas após. Pode aparecer paresia e paralisia dos membros e se não diagnosticada e tratada a tempo evolui para necrose com falência múltipla dos órgãos e óbito.

O diagnóstico é basicamente clínico e se baseia no reconhecimento precoce dos sinais e sintomas. Qualquer dor após procedimentos de longa duração em posição de litotomia deve ser cuidadosamente investigada, mesmo não havendo outros sintomas como paresia ou perda da função motora. Vale lembrar que procedimentos com realização de bloqueio de neuroeixo, assim como o uso de opioides para analgesia podem mascarar a dor e prejudicar o diagnóstico precoce. Portante, nesses tipos de procedimento é necessário que se reavalie o tipo de analgesia a ser realizada.

Apesar do diagnóstico ser principalmente clínico, ele pode ser realizado pela medida das pressões arterial e compartimental dos membros principalmente em pacientes com rebaixamento do nível de consciência. A diferença das pressões diastólica e compartimentais, denominada de delta P, deve ser sempre maior que 30 mmHg. Deltas P menores que 30 mmHg são diagnóstico de SCPS mesmo em apenas um único compartimento e deve ser encaminhado a cirurgia imediatamente.

Mais da autora: Recomendações para manejo peroperatório de pacientes portadores de marca-passo

Para um diagnóstico negativo, todos os quatro compartimentos do membro devem apresentar um delta P maior que 30 mmHg. Quanto mais próximo for o valor da pressão compartimental do valor da pressão diastólica, menor será a diferença entre elas e maior será a pressão dentro desse compartimento.

As alterações laboratoriais não são úteis para o diagnóstico, pois valores alterados de CK ou de mioglobina na urina só aparecem tardiamente quando o quadro já está bastante agravado com grande possibilidade de falência renal e morte.

O único tratamento para a SCPS é a fasciotomia que deve ser realizada o mais precocemente possível. Não há a menor possibilidade de tratamento conservador em casos de SCPS, sendo assim, uma vez diagnosticada o encaminhamento ao centro cirúrgico é mandatório. Fasciotomias realizadas em até 6 horas após o diagnóstico estão relacionadas a total recuperação com ausência de sequelas neurológicas permanentes.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Gill M, Fligelstone L, Keating J, et all. Avoiding, diagnosing and treating well leg compartment syndrome after pelvic surgery. The British Journal of Surgery.S 2019; 106: 1156–1166
  • Stornelli N, Wydra FB, Mitchell JJ, Stahel PF, Fabbri S.The dangers of lithotomy positioning in the operating room: case report of bilateral lower extremity compartment syndrome after a 90-minutes surgical procedure. Patient Saf Surg 2016; 10: 18
  • Bauer EC, Koch N, Erichsen CJ, Juettner T, Rein D, Janni W et al. Survey of compartment syndrome of the lower extremity after gynecological operations. Langenbecks Arch Surg 2014; 399: 343–348.
  • Christoffersen JK, Hove LD, Mikkelsen KL, Krogsgaard MR. Well leg compartment syndrome after abdominal surgery. World J Surg 2017; 41: 433–438.
  • von Keudell AG, Weaver MJ, Appleton PT, Bae DS, Dyer GSM, Heng M et al. Diagnosis and treatment of acute extremity compartment syndrome. Lancet 2015; 386: 1299–1310.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.