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Síndrome coronariana aguda: por quanto tempo manter a dupla antiagregação?

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As atuais recomendações dizem para manter a dupla antiagregação plaquetária (DAPT) após uma síndrome coronariana aguda (SCA) por um ano, já que alguns estudos falharam em mostrar grandes benefícios em estender esse período. Com o advento de novos stents, que trazem menos complicações, a duração da dupla antiagregação está sempre sendo questionada.

Dupla antiagregação na síndrome coronariana aguda

O estudo TRITON-TIMI 38 testou mais de 13 mil pacientes com SCA para DAPT com o clopidogrel e prasugrel. Como a intenção era usar o prasugrel, os pacientes foram randomizados apenas após a realização de cateterismo coronariano. Após o exame os pacientes recebia uma das drogas de forma cega acrescida de AAS. A média de seguimento foi de 14,2 meses.

O desfecho primário era morte cardiovascular e infarto do miocárdio. Os desfecho foram dividias em três categorias:

  • Morte ou infarto relacionados ao procedimento;
  • Morte ou infarto relacionados ao stent;
  • Morte ou infarto espontâneos, não relacionados ao procedimento ou stent.

Leia também: ESC 2019: Prasugrel é melhor que Ticagrelor em pacientes com síndrome coronariana aguda manejados com estratégia invasiva

Resultados

Houve 1.306 desfechos primários, destes 1.149 foram infartos e 254 mortes cardiovasculares. 606 eventos foram relacionados ao procedimento (46%), 186 (14%) ao stent e 514 (39%) foram espontâneos. Pacientes que receberam prasugrel tiveram uma redução significativa do desfecho primário nos eventos relacionados ao stent e nos eventos espontâneos ou novos infartos não relacionado a lesão inicialmente culpada [relacionados ao stent (1.0% vs. 2.1%; p < 0.001)/espontâneos (3.9% vs. 4.8%; p = 0.012)].

O prasugrel aumento os casos de sangramento espontâneos, porém não os relacionados ao procedimento ou sangramentos maiores.

Mais do autor: Estenose aórtica: TAVI pode trazer algum risco a longo prazo?

Conclusões

O estudo mostra, portanto, que o uso de um antiagregante mais potente, por tempo mais prolongado (até 15 meses) reduziu eventos precoces (até 30 dias) relacionados a stents e eventos tardios (SCA relacionados a outras lesões).

Há algumas limitações, principalmente pelo fato de só randomizar os pacientes após o cateterismo e pela dificuldade de se definir o desfecho primário em alguns casos. Entretanto, trata-se de importante evidência, tanto para prolongar a DAPT após uma SCA, quanto para utilizar antiagregantes mais potentes.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Scirica BM, Wiviott SD, et al. Nonculprit Lesion Myocardial Infarction Following Percutaneous Coronary Intervention in Patients With Acute Coronary Syndrome. J Am Coll Cardiol. 2020 Mar, 75 (10) 1095-1106.

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