Saúde da Criança

Síndrome da Gaiola

Tempo de leitura: 3 min.

O desconforto e o medo têm levado jovens a não querer sair de casa, ir para escola, faculdade ou realizar atividades possíveis durante a pandemia. Mesmo ainda sendo necessário o distanciamento social, havendo possibilidade e respeitando as normas de segurança em espaços fora do lar, algumas pessoas, principalmente jovens estão evitando a volta da vida instrumental ou funcional fora do ambiente domiciliar. Estamos falando da Síndrome da Gaiola, que faz analogia a pássaros que depois de muito tempo engaiolados, mesmo com a porta aberta, têm dificuldade em sair da gaiola e isso acontece devido ao tempo que o pássaro é mantido na Gaiola.

Leia também: Pandemia aumenta casos de ansiedade, depressão e estresse. O que podemos fazer?

Esse fenômeno é mais comuns em crianças e adolescentes  que são os mais afetados, uma vez que ficam com medo de se infectar, de levar o vírus para seus pais e familiares e desenvolvem certa atrofia social pelo tempo de isolamento e distanciamento social. 

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Impacto da pandemia

A ansiedade infantil e a ansiedade na adolescência esta cada vez maior frente aos problemas decorrentes da pandemia. A ideia da volta às aulas presenciais gera medo e angústia nos alunos. Medo de contaminação é um dos maiores problemas que dificulta o retorno a escola. Esse é um problema que a sociedade vai ter que lidar ao longo dos anos que pode ser uma marca da pandemia no Brasil. O comportamento é mais comum em crianças e adolescentes que já apresentam algum transtorno psicológico, como a depressão e o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), mas pode ser observado em jovens sem qualquer quadro de adoecimento. É comum jovens com essa condição se sentirem mal em locais públicos ou em ambientes que será inevitável a convivência. O grande mal dessa condição é no aspecto emocional. Os jovens passam a ter dificuldade de se conectar a grupos ou pessoas. 

Podemos, enquanto profissionais de saúde, construir cuidados que possam libertar essas pessoas dessas “Gaiolas”. O sentimento de prisão é parecido com aqueles que acontecia com pacientes institucionalizados nos grandes hospitais psiquiátricos, a porta quando aberta gerava um sentimento de medo. O que encontrariam do lado de fora podia ser muito pior do que acontecia dentro do hospital, mesmo este sendo local de tortura e violência. Não podemos tratar dessa condição como ignorância, mas como prisões que na verdade estão mais ligadas a condição mental que apenas aquelas estruturais. Mas precisamos ajudar as pessoas a se libertar e para isso, os profissionais da saúde podem ser aqueles que contribuirão com a “abertura das gaiolas”.

Os profissionais da saúde podem realizar algumas intervenções

  • Realize o acolhimento da criança ou do adolescente;
  • Construa uma linha de cuidado que envolva a família, professores e amigos;
  • Constitua vínculo com a criança ou adolescente, observando as condições de cada indivíduo;
  • Fazer levantamento clínico para avaliar sinais de ansiedade e depressão ou outra doença psiquiátrica;
  • Converse com a criança ou com o adolescente e discuta o assunto, compreenda o motivo da ansiedade ou angústia;
  • Explique quanto aos riscos e medidas de proteção a contaminação pelo vírus SARS-CoV-2;
  • Escute a criança ou adolescente e entenda os motivos do comportamento e a partir disso construa uma linha de cuidado;
  • Seja otimista e positivo frente aos novos desafios;
  • Conforte a pessoa explicando sobre sua condição e mostrando um caminho para o cuidado de si.

Saiba mais: Uma em cada quatro crianças sofre de depressão na pandemia, aponta estudo canadense

Lembre-se que cuidados com a pessoa com sofrimento psíquico passa por fazer a pessoa ter autoconhecimento e desenvolver habilidades para poder enfrentar os problemas e as emoções que decorrem do enfrentamento dos conflitos. As ações emancipadoras sempre serão aplicadas à pessoa.

Autor(a):

Referências bibliográficas

  • Barros MB de A, et. al. Relato de tristeza/depressão, nervosismo/ansiedade e problemas de sono na população adulta brasileira durante a pandemia de COVID-19. Epidemiol. Serv. Saúde. 2020  Set; 29( 4 ): e2020427. doi: 10.1590/S1679-49742020000400018
  • Faro A, et al. COVID-19 e saúde mental: a emergência do cuidado. Estudos de Psicologia (Campinas) [online]. 2020, 37, e200074. doi: 10.1590/1982-0275202037e200074
  • Silva HGN, Santos LES, Oliveira AKS. Efeitos da pandemia no novo Coronavírus na saúde mental de indivíduos e coletividades. J. nurs. health. 2020;10(n.esp.):e20104007
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Publicado por
Rafael Polakiewicz

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