Anestesiologia

Síndrome da infusão de propofol

Tempo de leitura: 3 min.

O propofol (2,6-di-isopropilfenol) é um agente anestésico intravenoso amplamente utilizado desde 1989 em unidades de terapia intensiva para sedação de pacientes críticos e na anestesiologia para sedação, indução e manutenção de anestesia geral. Seu mecanismo de ação envolve a potencialização da neurotransmissão inibitória do ácido gama-aminobutírico (GABA).

Molécula do propofol. Fonte: Wikipedia

 

Está disponível como uma emulsão contendo óleo de soja, glicerol e lecitina de ovo. Possui metabolização hepática e extra-hepática (provavelmente pulmonar) em metabólitos inativos que são eliminados pelos rins. Tem ação depressora direta do sistema cardiovascular e musculatura lisa dos vasos, causando redução da contratilidade cardíaca, redução da pré e pós-carga. Reduz o fluxo sanguíneo cerebral com diminuição da pressão intracraniana e consumo metabólico de oxigênio cerebral com atividade protetora do sistema nervoso central. Causa depressão respiratória central com diminuição da resposta respiratória ao CO2 e hipóxia.

A síndrome da infusão de propofol

A síndrome da infusão de propofol (SIP) é um conjunto de sinais e sintomas, quase sempre de evolução fatal, que ocorrem após infusão contínua de altas doses de propofol, geralmente maiores que 5mg/kg/h, por períodos superiores a 48h (embora existam casos na literatura por períodos mais curtos).

A fisiopatologia da SIP ainda não está totalmente esclarecida, mas acredita-se que há uma predisposição genética para a ocorrência da síndrome, com inibição da fosforilação oxidativa e produção de energia mitocondrial, falha na oxidação dos ácidos graxos e bloqueio de receptores beta-adrenérgicos e de canais de cálcio. Essas alterações levariam a acidose metabólica, disfunção cardíaca com resistência aos agentes inotrópicos, disritmia cardíaca, rabdomiólise, hipertrigliceridemia com infiltração de gordura no fígado, pulmão e outros órgãos, hipercalemia, febre e insuficiência renal. O uso concomitante de corticosteroides e de aminas vasoativas tem sido implicado como fatores predisponentes.

Tratamento

O tratamento da síndrome se dá com a suspensão da infusão do fármaco, medidas de suporte e eliminação do propofol do organismo através de hemofiltração (diálise). Quando a diálise não pode ser empregada, a mortalidade chega a 100%.

Devido ao alto grau de mortalidade, medidas de prevenção devem ser adotadas. A administração do fármaco deve ser feita por períodos curtos e taxas de infusão menores de 5mg/kg/h. Monitorar pH, lactato, potássio e creatino-quinase (CK) é de suma importância. O uso de outros agentes anestésicos junto com o propofol na tentativa de reduzir sua dose é uma boa estratégia. Além disso, a infusão de propofol deve ser evitada em pacientes com suspeita ou comprovada doença mitocondrial.

Leia também: Propofol vs midazolam: qual é o mais eficaz na sedação procedimental na emergência?

Atualmente, o propofol é um fármaco imprescindível nas unidades de terapia intensiva e na anestesiologia. Seu rápido início de ação, curta duração e mínimos efeitos colaterais são qualidades que o tornam essencial nesses cenários. Entretanto, não deve ser utilizado por períodos prolongados ou em altas doses devido ao risco de desenvolver uma síndrome com alta taxa de mortalidade se o tratamento correto não for rapidamente empregado.

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Bruno Vilaça

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