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Síndrome da visão do computador: quais os tratamentos com evidência científica? 

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A síndrome de visão do computador (SVC) descreve um grupo de problemas relacionados aos olhos e a visão associados com o uso prolongado do computador. Afeta de 75 a 90% dos usuários de computador. Os sintomas mais comuns são fadiga ocular, visão borrada, ressecamento ocular, hiperemia ocular, cefaleia e dor no pescoço e ombros. A maioria dos sintomas são recorrentes e progressivos. Os fatores de risco para a síndrome são períodos extensos de uso de computador (maiores que quatro horas por dia), reflexos e glare na tela do computador, baixa umidade (<40%) e ergonomia incorreta no uso do computador.  

Os sintomas oculares geralmente estão associados a diminuição do piscar, erros refrativos não corrigidos e anomalias de acomodação. Thorud et al. estudaram a associação entre sintomas extraoculares (como dor ao redor dos olhos) com o uso de computador usando eletromiografia e encontraram uma fraqueza nos músculos orbiculares que pode estar associada. Além disso a luz azul emitida pela tela poderia causar fadiga ocular apesar de ainda não haver evidência suficiente para suportar essa teoria. Em relação ao manejo da síndrome, algumas intervenções são investigadas. Uma conduta comum é recomendar os ajustes ergonômicos e ensinar a regra 20/20/20 que envolve olhar para um objeto a 20 pés por 20 segundos a cada 20 minutos de uso de telas. Outras intervenções consideradas são as intervenções ópticas (progressivos, lentes com controle de luz azul), antioxidantes orais e suplementos, ômega 3, lubrificantes artificiais.  Uma revisão sistemática publicada na Ophthalmology em maio de 2022 avaliou 45 trials e fala sobre as evidências dos tratamentos utilizados para síndrome de visão do computador. 

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síndrome de visão do computador

Auxílios ópticos

10 trials investigavam auxílios ópticos (lentes de contato multifocais, óculos progressivos, óculos cilíndricos, óculos de visão simples, óculos com filtro de luz azul). Em três estudos não houve diferença entre fadiga visual usando multifocal ou visão simples. Em todos os outros estudos, não foi encontrada diferença entre a fadiga visual com filtros de luz azul e sem filtros de luz azul. Dois estudos demonstraram nível de evidência moderado para a não melhora nos sintomas de olho seco com lentes com filtro de luz azul se comparadas com as lentes sem filtro. 

Suplementos nutricionais

Extrato de Berry: Sete estudos com evidência baixa para a não melhora na fadiga visual comparando o uso de berries e o não uso;                                   

Ácidos graxos poliinsaturados: Dois estudos avaliaram o uso de ômega 3 e ambos com evidência moderada de melhora dos sintomas de olho seco durante uso por 45 dias a três meses se comparado ao grupo placebo;

Carotenoide: um estudo demonstrou evidência baixa para a redução da fadiga visual com carotenoides orais quando comparado ao placebo;                               

Suplementos combinados: Kan et al. reportaram redução dos sintomas de fadiga visual com uma combinação de luteína, zeaxantina e extratos de crisântemo, goji berry e cassis após quatro semanas. Os outros três estudos não melhoraram os sintomas com a combinação de suplementos quando comparado ao placebo.

Outras

Probióticos: Sem diferença em relação a fadiga visual quando comparados ao placebo;                                              

Yoga: Um estudo descreve redução da fadiga visual com yoga mas com nível de evidência muito baixo;                        

Intervalos extras: Um estudo descreve redução da fadiga visual com intervalos extras além dos regulares mas com nível de evidência muito baixo;

Lubrificantes artificiais: Evidência baixa para redução de sintomas com lubrificantes oculares se comparado ao placebo;

Modificações do ambiente: Sem diferença na fadiga visual com ar fresco úmido por cinco dias em relação a não intervenção;

Ajustes na ergonomia: Só um estudo investigou esse fator mas não foram medidos desfechos primários e secundários;

Higiene visual (20/20/20): Evidência muito baixa para não melhora de fadiga visual com a regra 20/20/20. Evidência muito baixa de redução dos sintomas de olho seco implementando a regra 20/20/20 se comparado com o placebo.

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Conclusões

A conclusão do estudo é que existe informação limitada sobre a eficácia e segurança das intervenções. A certeza das evidências para cada desfechou foi julgada como moderada, baixa ou muito baixa.  As duas razões mais comuns para reduzir a certeza de uma evidência foram o risco de viés ou imprecisão. Todos os três estudos reportaram não haver benefício na fadiga visual comparando lentes com filtro de luz azul e lentes sem filtro.  

Apesar de alguma controvérsia ainda sobre o benefício do ômega 3, ele ganhou atenção especial com respeito ao seu potencial em melhorar a superfície ocular via mecanismos de modulação da homeostase da lágrima. Nessa revisão, os dois estudos de ômega 3 demonstraram baixa evidência para a redução de sintomas de olho seco em indivíduos usando ômega 3 se comparado ao placebo. Além de não ter encontrado benefício no uso de multifocais, não se concluiu ser efetivo modificações ambientais, ajustes ergonômicos ou lubrificantes artificiais. Apesar disso, o olho seco é comumente associado a síndrome de visão do computador e os lubrificantes são a abordagem mais comum do olho seco. A estratégia 20/20/20 apesar de popular, só foi avaliada em um estudo que encontrou não ter benefício em relação a fadiga visual se comparado com o grupo placebo que envolvia o ato de parar para beber água. A evidência baixa para ômega 3 no olho seco e no uso de extrato oral de berry na fadiga visual, além da evidência baixa para o fato das lentes com filtro azul serem inefetivas para fadiga visual foram notadas. Para as outras intervenções, a evidência foi insuficiente para estabelecer sua eficácia e segurança com certeza. A revisão também destaca uma série de limitações no desenho dos trials.

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# Singh S, McGuinness MB, Anderson AJ, Downie LE. Interventions for the management of computer vision syndrome: a systematic review and meta-analysis. Ophthalmology. 2022.  doi10.1016/j.ophtha.2022.05.009
Referências bibliográficas:

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