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Síndrome de Gianotti-Crosti: saiba tudo sobre a doença

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A síndrome de Gianotti-Crosti (SGC) é uma doença rara e autolimitada. Foi descrita pela primeira vez por Gianotti em 1955, como uma erupção papulosa, monomorfa, simetricamente distribuída em face, glúteos e extremidades. Em 1970, Gianotti e Crosti observaram que a síndrome se associava à infecção pelo vírus da hepatite B2.

Sobre a síndrome de Gianotti-Crosti

A SGC é também conhecida como acrodermatite papular da infância.

Etiologia

A SGC consiste em uma erupção inespecífica associada primariamente à infecção pelo vírus da hepatite B1. Entretanto, pode estar associada ao vírus Epstein-Barr (EBV) e ao herpes vírus tipo B. Outros vírus também podem estar associados, porém com menor incidência. Entre eles, podemos citar: enterovírus, citomegalovírus, parvovírus, vírus parainfluenza, vírus da hepatite A, rotavírus, molusco contagioso, vírus sincicial respiratório, vírus da imunodeficiência humana, e estreptococos beta-hemolíticos do grupo A.

Epidemiologia

A SGC ocorre predominantemente em crianças com idades entre dois e seis anos. Sua prevalência e sua incidência não são conhecidas, pois a doença é frequentemente subdiagnosticada e, muitas vezes, diagnosticada equivocadamente como uma erupção viral ou um exantema viral inespecíficos.

A SGC raramente ocorre em adultos. Em 2016, Pedreira e colaboradores relataram o caso de uma adolescente de 18 anos com SGC. Outro caso atípico também foi relatado mais recentemente em 2018 por Marcassi e colaboradores. Os autores descreveram o caso de um homem de 22 anos com SGC.

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Quadro clínico

A SGC é caracterizada, inicialmente, por sinais e sintomas de infecção respiratória alta. O estado geral não se altera ou podem ocorrer sintomas inespecífico (mal-estar, febre, náuseas e vômitos). Surge subitamente uma erupção monomórfica, eritematopapular e não pruriginosa (excepcionalmente, podem provocar prurido). As pápulas possuem entre 1 a 5 mm de diâmetro, apresentam o topo achatado e ocupam, de forma simétrica, o rosto, os glúteos e as extremidades.

As lesões duram aproximadamente 15 a 20 dias. Após este período, desaparecem, deixando uma descamação.

Os pacientes podem evoluir com linfadenopatia. Linfonodomegalia inguinal e axilar podem ser percebidas por dois a três meses durante o curso da SGC, em associação com hepatomegalia moderada. Mais raramente, podem surgir hepatoesplenomegalia e/ou hepatite anictérica aguda.

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Diagnóstico

O diagnóstico é clínico. Exames laboratoriais não têm relevância para o diagnóstico de SGC. Podem ser observadas somente linfocitose discreta ou linfopenia.

Se houver dificuldade diagnóstica, pode ser realizada biópsia da lesão. No entanto, esse exame é geralmente desnecessário. As alterações histopatológicas das lesões não são específicas e incluem espongiose focal e paraqueratose com infiltrados linfocitários perivasculares na derme superior.

Alterações de transaminases podem estar presentes em pacientes com SGC relacionada ao vírus da hepatite B.

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Diagnóstico diferencial

  • Eritema infeccioso ou outros exantemas virais;
  • Eritema multiforme;
  • Síndrome mão-pé-boca;
  • Urticária papular;
  • Escabiose;
  • Líquen plano difuso;
  • Erupções cutâneas por drogas.

Tratamento

Não há um tratamento específico, devendo ser realizado tratamento de suporte, com sintomáticos e anti-histamínicos. Corticoides podem ser prescritos, porém não existem evidências claras sobre seu papel na resolução da doença. Pedreira e colaboradores (2016) relatam que as lesões parecem resolver rapidamente com o uso de corticoides tópicos de média potência. Os pais devem ser orientados quanto à evolução lenta benigna da doença.
O prognóstico é excelente.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • SARI, J. et al. Síndrome de Gianotti Crosti: Relato de caso. Residência Pediátrica, v.5, n.1, p.30-32, 2015.
  • LIMA, D. A.; ROCHA, D. M.; MIRANDA, M. F. R. Síndrome de Gianotti-Crosti: aspectos clínicos,
    laboratoriais e perfis sorológicos observados em 10 casos procedentes de Belém-PA (Brasil). Anais brasileiros de Dermatologia, Rio de Janeiro, v.79, n.6, p.699-707, 2004.
  • MARQUES, H. H. S.; SAKANE, P. T. Viroses exantemáticas. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de Pediatria, 2. ed. Barueri, Manole: 2017. Volume 1, Cap. 14, p.985-993.
  • PEDREIRA, R. L. et al. Gianotti-Crosti syndrome: a case report of a teenager. Anais brasileiros de dermatologia, v.91(5 Supl 1), p.S163-165, 2016.
  • MARCASSI, A. P. et al Atypical Gianotti-Crosti syndrome. Anais brasileiros de dermatologia, v.93, n.2, p.265-267, 2018.

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