Gastroenterologia

Síndrome do intestino curto (SIC): Aprovada indicação pediátrica do medicamento teduglutida

Tempo de leitura: 3 min.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do remédio teduglutida (Revestive®), da biofarmacêutica Takeda, no tratamento da síndrome do intestino curto (SIC) em crianças a partir de um ano, que dependem cronicamente de nutrição parenteral.

Disponível para adultos desde 2018, a ampliação da indicação torna o tratamento o primeiro e único para uso pediátrico, garantindo uma esperança de melhor qualidade de vida às crianças com SIC.

Através do manejo adequado – injeção subcutânea, uma vez ao dia – e sob orientação de uma equipe multiprofissional, o tratamento pode proporcionar independência parcial ou até total da nutrição parenteral, em curto, médio e longo prazos.

Saiba mais: Uso de glicocorticoides para o manejo da síndrome do intestino curto em pediatria

Estudos publicados

Estudos comprovaram que 69% dos pacientes diminuíram em 20% a necessidade de nutrição parenteral, o equivalente a um dia a menos por semana, além dos que se tornaram totalmente independentes. No Johns Hopkins All Children ‘s Hospital, 22% dos pedidos de TPN exigiam esclarecimento de erros e uma média de dez minutos por pedido para correção de erros pelos farmacêuticos.

Segundo dados de um estudo publicado em 2018, novas normas melhoraram a qualidade e a segurança dos pacientes, padronizando as formulações de nutrição parenteral total e incorporando processos de pedidos de TPN ao prontuário eletrônico.

Em um outro estudo publicado em 2020, com dados de estudos de vida real, de 17 crianças com SIC em tratamento com Revestive®, 12 atingiram a independência completa da NP em 12 meses.

“Esse fato, é um marco no tratamento da SIC no Brasil, sobretudo para pacientes que têm um futuro inteiro pela frente, pois o medicamento pode mudar o curso da vida de quem está apenas começando a sua jornada”, comemora o médico Abner Lobão, diretor médico da Takeda.

Síndrome do intestino curto

A síndrome do intestino curto é uma condição gastrintestinal rara, na qual o corpo não consegue absorver líquidos e nutrientes suficientes porque parte do intestino delgado está faltando ou não está funcionando corretamente.

Por exemplo, o intestino delgado pode ser anormalmente curto ao nascimento, uma seção do intestino pode estar faltando ou o intestino não se forma completamente antes do nascimento (atresia intestinal). Em outros casos, os pacientes desenvolvem condições nas quais uma grande parte do intestino delgado deve ser removida por cirurgia.

Em recém-nascidos, especialmente bebês prematuros, a enterocolite necrosante é a causa mais comum da síndrome do intestino curto. A dificuldade de absorção de nutrientes contribui para a perda de peso e dificuldade de crescimento das crianças, além de fadiga, desidratação e diarreia.

Leia também: Cisaprida para manejo de falência intestinal: quais os riscos e benefícios?

Sobre o Revestive® (teduglutida)

Revestive® é um fármaco de uso contínuo, administrado por injeção subcutânea, uma vez ao dia, indicado para o tratamento da síndrome do intestino curto em pacientes pediátricos e adultos.

O medicamento é um análogo recombinante do GLP-2 humano com uma meia-vida mais longa. A ocorrência natural do GLP-2 humano é fundamental na absorção de nutrientes e no funcionamento normal do intestino delgado. Em pacientes com SIC, a produção do hormônio GLP-2 é impactada. O uso do Revestive® estimula a reabilitação intestinal e aumenta a capacidade de absorção do intestino.

No programa clínico em adultos da série de estudos STEPS, em pacientes tratados com Revestive® por 24 semanas, 63% atingiram o objetivo de redução em maior ou igual a 20% do volume de nutrição parenteral.

O uso prolongado da medicação nos estudos STEPS-2 e STEPS-3 apresentou uma redução contínua na necessidade de nutrição parenteral. Após 30 meses de tratamento, 60% dos pacientes obtiveram redução superior a dois dias por semana no uso da nutrição parenteral e 20% atingiram independência da nutrição parenteral.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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