Síndrome do ovário policístico: quando medicar?

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Com uma prevalência que pode variar de 4 a 10% da população feminina, fica a dúvida: a síndrome do ovário policístico precisa ser medicada? É importante delimitar até onde vai a demanda do paciente e a do médico em cada relação médico-paciente. Entender quais aspectos da síndrome mais incomodam a paciente e definir o que e como será tratado, assim o porquê de cada intervenção.

Atualmente são usados como tratamento principalmente os anticoncepcionais combinados e metformina.

O uso de anticoncepcionais combinados está indicado se o objetivo da mulher é regularizar seu ciclo menstrual, além da possibilidade de reduzir o hirsutismo com o uso de anticoncepcionais cuja progesterona seja antiandrogênica, como a ciproterona. O uso desses anticoncepcionais reduz acne e a presença de pelos, características que comumente incomodam essas mulheres. Entretanto, caso a irregularidade menstrual e o hirsutismo não incomodem a paciente ou sejam inexistentes, seu uso somente se justifica com objetivo de contracepção.

Mais da autora: ‘Como manejar o sangramento uterino na emergência?’

Com pacientes com sobrepeso e outros fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, dislipidemia e história familiar de doença cardiovascular, o uso de metformina está indicado para controlar a resistência insulínica e evitar a evolução para um quadro de diabetes. O uso dessa medicação deve ser pactuado com a paciente, a fim de informá-la sobre os efeitos colaterais da medicação (principalmente gastrointestinais). É importante destacar que o uso de metformina tem caráter de prevenção de fator de risco e não de tratamento de uma doença estabelecida, como no caso do diabetes. A metformina também pode produzir bons resultados para regularização do ciclo menstrual e estímulo a ovulação em pacientes que estão tentando engravidar.

A essas mulheres deve ser explicado no que constitui a síndrome do ovário policístico, sem a taxação de doença que evolui com diabetes ou infertilidade, já que essa não é necessariamente a história natural da síndrome. O uso da medicação tem como objetivo principalmente atuar nas queixas da paciente e ajudá-la a ter melhor qualidade de vida.

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Luma Beatriz Peril

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