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Síndrome dolorosa da bexiga - diagnóstico e tratamento

Síndrome dolorosa da bexiga – diagnóstico e tratamento

Síndrome Dolorosa da Bexiga, também conhecida como Cistite Intersticial a Síndrome Dolorosa da Bexiga, é uma doença crônica, cujos principais sintomas são dor de origem vesical e urgência miccional. Afeta homens e mulheres, porem existe um acometimento maior em pacientes do sexo feminino.

Com relação a dor, é de moderada a intensa, localizada na região pélvica e/ou na região entre a vagina e o ânus em mulheres, e em homens geralmente se localiza entre os testículos e o ânus. Os pacientes também podem apresentar dor durante o ato sexual, piorando ainda mais a qualidade de vida, já tão afetada pela doença e acarretando problemas psicológicos e familiares.

Pacientes com síndrome dolorosa da bexiga apresentam também sintomas urinários que muitas das vezes levam a confusão diagnóstica com infecção do trato urinário e consequentemente a um tratamento feito de forma não eficaz. Os pacientes apresentam urgência na micção, com desconforto importante durante o período de enchimento da bexiga e alívio após urinar. Apresentam também a necessidade de ir várias vezes ao banheiro durante o dia, geralmente com pequeno volume de micção em cada ida, acarretando problemas sociais secundários.

Diagnóstico

Como em qualquer doença, especialmente as crônicas, o diagnóstico requer a obtenção de uma história bem detalhada, com exame clinico minucioso. Importante que fique bem clara a presença de dor e sua localização. Entre exames importantes temos:

1) Exame Simples de Urina

Importante para descartar a presença de Infecção do Trato Urinário , condição muito comum e com sintomas muito parecidos e tratamentos diferentes. Lembrando sempre da possibilidade das duas doenças coexistirem.

2) Teste de Sensibilidade do Potássio

Na primeira parte do teste, Injeta-se dentro da bexiga do paciente uma solução feita de água e pergunta ao paciente qual nivel de dor de 0 a 10 e a intensidade da vontade de urinar. Em seguida faz-se o mesmo processo com uma solução de Potássio, mais uma vez pergunta o nível de dor e sobre a vontade de urinar. Se o paciente relatar diferença entre os dois procedimentos, queixando mais dor e uma maior vontade de urinar durante a instilação de potássio, fala a favor od diagnostico de Síndrome Dolorosa da Bexiga.

3) Cistoscopia

Uma das causas possíveis para essa doença, é uma alteração no epitélio de revestimento protetor da bexiga, onde uma falha nesse epitélio pode levar à irritação da bexiga devido a substâncias presentes na urina. A cistoscopia se torna, então, muito importante pois através de um tubo bem fino introduzido pela uretra, uma câmera chega até a bexiga e o médico examinador consegue sob visão direta examinar o conteúdo interno dela. Consegue avaliar como está esse epitélio e também descartar a presença de lesões suspeitas. Quando há presença de alguma alteração no interior da bexiga, através desse mesmo procedimento o médico pode realizar biópsias para descartar lesões neoplásicas.

Saiba mais: 

Também há a possibilidade de realizar um procedimento chamado hidrodistensão, no qual é injetada uma quantidade de líquido e medir a capacidade de distensão da bexiga, avaliando se há alguma perda na capacidade de distender, consequente a síndrome dolorosa da bexiga.

Tratamento

Nunca é demais lembrar que o ideal sempre é o paciente ser inserido num contexto interdisciplinar.

1) Medicamentos

Devemos começar o tratamento usando medicações analgésicas e anti-inflamatórias. Também é muito útil o uso de antidepressivos tricíclicos para agir no controle da dor. O elmiron é um medicamento aprovado pelo FDA, com mecanismo de ação desconhecido, que pode restaurar a superfície interna da bexiga, retomando seu efeito protetor e diminuindo as crises de dor e urgência miccional

2) Hidrodistensão

Realizado durante a cistoscopia, muitos pacientes apresentam uma melhora nos sintomas após a hidrodistensão. Para esses tipos de pacientes que melhoram por um bom tempo, podemos fazer uso dessa técnica de forma repetida. Através de uma fina sonda, é instilada medicação que permanece por 15 minutos e que depois é expelida através da urina. Geralmente é repetido semanalmente por seis a oito semanas.

3) Neuroestimulação

Para pacientes que não apresentaram melhora com os tratamentos citados anteriormente, o uso da neuromodulação através da estimulação das raízes sacrais pode ajudar a reduzir os sintomas e voltar a ter uma melhor qualidade de vida.

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Referências:

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