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Equipe médica realizando uma cirurgia bariátrica em Sleeve em paciente obeso.

Sleeve pode estar associado a menor risco de reoperações na gastroplastia redutora?

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cirurgia bariátrica tem se estabelecido cada vez mais como uma modalidade efetiva para o tratamento da obesidade. Hoje o tratamento cirúrgico apresenta resultados mais duradouros quando comparado ao tratamento não operatório e as duas principais cirurgias utilizadas são o bypass em y-de-roux (BPG) e a gastrectomia vertical (GV) também chamada de gastrectomia em sleeve.

Gastroplastia redutora

No entanto, existe uma falta de dados sobre a evolução a longo prazo quando se compara as complicações associadas as mesmas. Intuitivamente, podemos pensar que as cirurgias de menor porte apresentam menor morbidades associada, quando comparadas a cirurgias mais complexas. Historicamente a banda gástrica ajustável, apesar da pequena complexidade relacionada ao procedimento, ao longo dos anos apresentou intercorrências como migrações, erosões e até mesmo insucesso de perda de peso que hoje praticamente inviabiliza o seu uso rotineiro.

O foco deste estudo foi comparar o risco associado nas duas principais modalidades cirúrgicas BPG e GV em uma cohort ao longo de cinco anos, incluindo re-hospitalizações, reoperações e necessidades de intervenção como endoscopias e sondas enterais.

Leia também: Obesidade aumenta risco de complicações na infecção pelo novo coronavírus?

Método

O estudo utilizou uma rede de colaboração de dados existente para registro de pacientes submetidos a cirurgia bariátrica em diversos centros pelo mundo, (PCORnet de Cirurgia Bariátrica) a qual foi previamente descrito em outro estudo.

Foram levantados dados de todos os pacientes entre 20 e 79 anos de idade submetidos a cirurgia bariátrica primária (não revisional) entre 1 de janeiro de 2005 a 30 de setembro de 2015. Para a análise deste estudo apenas foram incluídas cirurgias de GV e BPG, visto que outras modalidades são menos frequentes e foram analisadas em outros estudos do mesmo banco de dados.

Desfechos 

Foram definidos dois desfechos primários: operações e intervenções. Definiu-se como operações qualquer procedimento que envolva acesso ao abdome e de certa forma relacionado ao procedimento. As colecistectomias foram especificamente retiradas da análise. Já as intervenções foram caracterizadas como qualquer acesso à via enteral (ex: gastrostomias ou sonda enteral) ou procedimentos feitos pela radiologia intervencionista como paracentese e drenagens de abcessos sem a necessidade de incisões na pele.

De desfechos secundários, foram definidos: endoscopias e internações hospitalares, sendo que foram excluídas as internações por motivos obstétricos.

Resultados

Um total de 33.560 adultos em dez centros foram elegíveis para este estudo, sendo na sua maioria mulheres (80%), com uma média de idade de 45 anos e média de 49 de IMC. Quanto aos procedimentos cirúrgicos 18056 (54%) realizaram BPG e 15504 a GV. O grupo de pacientes da gastrectomia vertical era discretamente mais jovem 44,1 anos enquanto o grupo do by-pass 45,8 anos.

A análise estatística do desfecho primário evidenciou que o grupo da GV possuía taxa de risco de 0,72 quando comparada ao grupo da BPG, em um tempo de observação de 5 anos após o procedimento, podendo ser resumida na tabela abaixo:

Desfecho Taxa de Risco Ajustada P valor
Operação ou intervenção (excluindo endoscopia) 0,715

 

<0,001
Endoscopia 0,471 <0,001
Revisão 1,165 0,09
Hospitalização 0,822 <0,001
Mortalidade 0,942 0,66

Quanto aos desfechos secundários, as endoscopias por qualquer razão (diagnóstica ou terapêutica) eram mais frequentes no grupo do BPG, assim como as hospitalizações. Já a taxa de mortalidade não apresentou diferença estatística entre os dois grupos.

Discussão

Com este aumento expressivo da utilização da cirurgia bariátrica a necessidade de informação a respeito dos resultados a longo prazo também se fez necessário, principalmente na hora de decidir qual procedimento realizar em um determinado paciente. Nos resultados deste trabalho com 5 anos de observação apenas 1 modalidade se mostrou mais frequente no grupo da GV foi a cirurgia revisional porém sem peso estatístico.

A análise pormenores dos dados, especificamente quando analisou características de subgrupos permitiu dizer que a GV apresenta resultados: 1) melhores quando IMC mais baixo, 2) melhores em pacientes com menos comorbidades, 3) discretamente melhores em hispânicos. No entanto, a análise global continua sendo favorável ao sleeve e que nestes 3 grupos os resultados são ainda melhores.

Os dados referentes a doença do refluxo também foram favoráveis para a realização da GV ao se analisar a longo prazo. Apesar da preocupação existente do agravamento do refluxo com o procedimento de sleeve, a análise estatística não mostrou esta evidência.

Veja mais: Como manejar complicações pulmonares no pós-operatório?

Conclusões

O estudo conclui que a necessidade de intervenções após a cirurgia bariátrica é comum, porém ainda mais frequente quando se realiza o by-pass, e que os achados deste estudo podem auxiliar na tomada de decisão de qual procedimento realizar.

Take-home message

Apesar do expressivo número de pacientes analisados e da boa estatística utilizada, devemos lembrar que este estudo é observacional e muitos detalhes da escolha do método cirúrgico utilizado não pode ser analisado porque não fez parte do desenho do mesmo. Também um importante limitante é que apenas as intervenções foram analisadas como desfecho o que impede a conclusão a respeito da qualidade de vida.

Porém sem dúvida é um importante argumento para colocar na balança no momento da decisão de qual método cirúrgico utilizar.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • TohS,Rasmussen-TorvikLJ,HarmataEE,etal; PCORnet Bariatric Surgery Collaborative. The National Patient-Centered Clinical Research Network (PCORnet) bariatric study cohort: rationale, methods, and baseline characteristics. JMIR Res Protoc. 2017;6(12):e222. doi:10.2196/ resprot.8323
  • Anita Courcoulas, MD; R. Yates Coley, PhD; Jeanne M. Clark, Interventions and Operations 5 Years After Bariatric Surgeryin a Cohort From the US National Patient-Centered Clinical Research Network Bariatric Study JAMA Surg. 2020;155(3):194-204. doi:10.1001/jamasurg.2019.5470 Published online January 15, 2020. Corrected on March 18, 2020.

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