Saúde & Tecnologia

Slow Medicine: uma solução para o burnout?

A prática da medicina vem se caracterizando cada vez mais pela falta de tempo e urgência, levando os médicos e pacientes a uma exaustão e, às vezes, até uma falta de confiabilidade. Mas uma nova filosofia, que vem crescendo no meio, pode ser a solução para muitas pessoas: a Slow Medicine. Esse método tem como objetivo dar mais atenção ao paciente e ter tempo para uma boa abordagem. Você já ouviu falar?

Essa filosofia, como explica o portal Slow Medicine, vai contra todas as características da medicina rápida, que não tem tempo para escutar nem para um exame físico eficiente, e onde o paciente e o médico muitas vezes nunca se viram. Essa pressa, pressão e exaustão são algumas das questões que contribuem para o burnout, que é uma síndrome caracterizada pelo esgotamento profissional e afeta mais os médicos que outras pessoas. O problema não se resume à insatisfação pessoal, como atinge também a família, os amigos e os atendidos por esses médicos, e a Slow Medicine pode ser uma solução.

Escutar, perguntar e conhecer o outro, de forma respeitosa e cuidadosa, e entender melhor o que ele está sentindo, para que possa ser feito um diagnóstico mais preciso, evitando exames complementares desnecessários e estabelecendo uma melhor relação entre o médico e o paciente: são esses os princípios. Mas não é diferente do aprendido na faculdade.

Veja também: ‘Não deixe o burnout derrubar você’

Quando o estudante começa a entrar em contato com os pacientes, na universidade, ele aprende a analisar minuciosamente as informações que a pessoa lhe dá e pergunta seu histórico, quais medicamentos faz uso, sobre cirurgias que já fez na vida e outras doenças que já teve, e ainda os hábitos comuns e os antecedentes de seus familiares. Depois, vai para o exame físico, e, com todas as informações colhidas monta uma hipótese diagnóstica. A partir disso, solicita os exames necessários para confirmar ou não o diagnóstico. Solicita avaliações de especialistas, ou prescreve medicamentos, ou lhe esclarece sobre as dores ou problemas que vem tendo. Em seguida vem o acompanhamento, avaliação dos resultados dos exames e da terapêutica prescrita.

A abordagem Slow Medicine não sugere nada além disso, só diz que cada um desses passos devem ser tomados, sem pular nada, sempre com calma, dando atenção e fazendo com que a conclusão possa ser a mais exata o possível. A ideia é resgatar a essência da arte de cuidar, lembrando aos médicos o real motivo da profissão.

Acerca da tecnologia, o objetivo é usá-la de forma mais racional e apropriada, porque, com uma melhor abordagem, não é necessário pedir diversos exames para comprovar o diagnóstico hipotético. Além disso, sempre conversar com os pacientes para respeitar os valores individuais deles. Isso contribui ainda para um custo menor na assistência à saúde.

Veja mais: ‘Pesquisa PEBmed: o desequilíbrio na vida pessoal e profissional do médico’

O método enfatiza ainda que a atenção à saúde é multidisciplinar, por isso enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fonoaudiólogos, assistentes sociais, entre outros, também são fundamentais no cuidado, e por isso, na prática Slow.

A ideia da Slow Medicine foi publicada pelo Doutor Alberto Dolara (artigo ‘Invitation to a Slow Medicine‘), e, segundo ele, entre os campos e áreas que podem se beneficiar dessa abordagem destacam-se a medicina preventiva e as estratégias de rastreamento.

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Referências:

  • Invitation to a “Slow Medicine” , Dr. Alberto Dolara Italian Heart Journal: Supplement. Official Journal of the Italian Federation of Cardiologists 3.1 (2002): 100-101.
  • Kurt Kloetzel, Princípios da Medicina Ambulatorial, EPU, 1999.
  • J. Ladd Bauer, M.D. The Journal os Alternative and Complementary Medicine. Volume 14, Number 8, 2008, pp. 891–892 Editorial Slow Medicine.
  • Howard Brody MD, PhD Interview by Tricia C Elliott MD, FAAFP Choosing Wisely: Reclaiming the Practice of  Medicine—Part 4
  • Slow Medicine: A Conversation With J.Ladd Bauer Md (Ann Armbrecht blog)
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Publicado por
Clara Barreto

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