Ginecologia e Obstetrícia

Somente 22% das brasileiras que sofreram aborto buscaram atendimento psicológico, indica pesquisa

Tempo de leitura: 3 min.

Somente 22% das brasileiras que sofreram aborto buscaram atendimento psicológico, segundo uma pesquisa de abrangência nacional realizada pela Famivita, empresa que comercializa produtos e soluções para a saúde e a fertilidade feminina. 

Na coleta de dados realizada através de questionário em formulário na internet com a participação de mais de 4.700 mulheres, entre os dias 28 de abril a 3 de maio deste ano, 27% afirmaram já terem sofrido uma perda gestacional. 

Leia também: Aborto: 63% das brasileiras consideram que a saúde pública não está preparada para acolher mulheres pós-curetagem

Dentre elas, a maior procura por ajuda psicológica aconteceu entre as mulheres dos 30 aos 39 anos, sendo essa faixa etária representativa de 24% das participantes. E entre as que buscaram atendimento, 80% concordam que essa decisão foi relevante para conseguirem enfrentar melhor esse acontecimento tão doloroso. 

Já entre aquelas que não procuraram ajuda psicológica, 51% acreditam que isso seria relevante para aliviar a sensação de perda.

Dados divididos por estado

Os dados por estado demonstram que o Espírito Santo está entre os estados em que mais mulheres procuraram ajuda psicológica, com 38% das entrevistadas. Em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, 27% das participantes se consultaram com um psicólogo após sofrer uma perda. 

No Rio de Janeiro, pelo menos 25% tiveram suporte psicológico; e em São Paulo, 18%. Goiás é o estado com o menor número de mulheres que foram atrás de atendimento psicológico, com 9% das participantes. 

Um dos motivos que levaram as mulheres entrevistadas a não procurarem orientação psicológica após sofrer essa perda tão difícil e traumatizante é o financeiro, uma vez que nem sempre elas conseguem encontrar o serviço disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). 

A ginecologista obstetra e especialista em medicina fetal Flávia do Vale lembra que o aborto é um problema de saúde pública, que pode acarretar em inúmeras complicações, principalmente quando realizado de forma ilegal. 

“Diariamente lidamos com esse triste diagnóstico. As mulheres que passam por um aborto podem ficar confusas e enfrentam transtornos físicos e emocionais. Sentimentos de culpa, medo, fracasso, tristeza e insegurança quanto ao futuro reprodutivo atravessam as suas vidas. E, na maioria das vezes, as maternidades não possuem uma equipe completa e treinada para acolher essas pacientes, como psicólogos e médicos preparados para oferecer esse treinamento humanizado”, disse a coordenadora da maternidade do Hospital Icaraí em parceria com a Perinatal, que também é professora de obstetrícia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista ao Portal PEBMED. 

Mundialmente, cerca de 23 milhões de gestações terminam em aborto espontâneo a cada ano, em média, 15% do total. São 44 abortos por minuto, conforme estimativas publicadas na revista médica The Lancet no dia 26 de abril do ano passado.  

  

*Esse texto foi revisado pelos médicos do Portal PEBMED. 

  

 

 

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Publicado por
Úrsula Neves

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