Sonolência no trânsito: se usar esses medicamentos, não dirija

Tempo de leitura: 3 min.

Segundo um estudo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), até 20% de todos os acidentes de trânsito estão associados à sonolência. Os medicamentos têm efeitos colaterais que podem contribuir com a sonolência e precisamos ficar atentos aos riscos de dirigir sobre efeito deles.

Neste texto, traremos os principais fatores de risco e medicamentos que devem acender a luz vermelha dos motoristas, além de dicas para o manejo de sonolência.

Sonolência no trânsito – fatores de risco

Embora a direção sonolenta seja um problema comum que pode ocorrer em qualquer motorista, é reconhecido que certos grupos têm maior risco do que outros na direção sonolenta habitual e suas consequências, incluindo motoristas adolescentes, pacientes com distúrbios do sono, como apneia obstrutiva do sono e narcolepsia, trabalhadores noturnos e motoristas comerciais.

O uso de medicamentos sedativos e álcool, particularmente em combinação com a privação do sono, também apresenta riscos. Especificaremos as medicações mais à frente.

Médicos também entram em grupos de risco tendo em vista as jornadas extensas de trabalho, incluindo plantões noturnos. Não é incomum sabermos de colegas de profissão que sofreram acidentes saindo dos plantões.

Quais medicamentos devem nos preocupar?

Muitas classes de medicamentos podem causar sonolência, incluindo benzodiazepínicos, opioides, hipnóticos sedativos, barbitúricos, antieméticos, anticonvulsivantes, anti-histamínicos, anticolinérgicos, antidepressivos, relaxantes musculares, antipsicóticos, medicamentos antiparkinsonianos e agentes hipoglicemiantes. Esses medicamentos apresentam riscos para a condução sonolenta quando usados ​​sozinhos e principalmente em combinação com outros medicamentos, álcool ou privação do sono.

Grupos de risco particular são aqueles que recebem aumento de dose ou inicia um medicamento sedativo, aqueles que estão usando vários medicamentos sedativos concomitantemente, aqueles que estão usando medicamentos sedativos em altas doses e adultos mais idosos.

A combinação de álcool ou sedativos e a privação do sono são componentes importantes da sonolência. Em um estudo laboratorial em que os participantes ficaram restritos a quatro horas de sono, consumir uma unidade de cerveja teve o mesmo impacto que seis cervejas teriam em indivíduos totalmente descansados.

Leia também: Pacientes diagnosticados com demência podem dirigir?

Manejo dos pacientes com sonolência

Pacientes que referem condução sonolenta, incluindo aqueles com histórico de acidente ou quase acidente por sono, devem ser avaliados para identificar causas tratáveis ​​de sonolência e comportamentos ou hábitos de estilo de vida de alto risco. A história deve se concentrar em fatores de risco, bem como sintomas e sinais sugestivos de apneia obstrutiva do sono ou outros distúrbios do sono.

Uma etapa importante deve ser a realização da polissonografia ou o teste de apneia do sono em casa, nos casos em que se suspeita de apneia obstrutiva do sono. Esta patologia geralmente não é diagnosticada e representam um fator de risco importante e tratável para sonolência diurna.

Para a prevenção de acidentes neste contexto, é importante:

  • Orientar o paciente sobre sintomas de sonolência ao dirigir;
  • Tratar quaisquer causas subjacentes de sonolência excessiva, como apneia obstrutiva do sono;
  • Orientar evitar dirigir por períodos longos sem parada, ou viajar sozinho depois de uma noite mal dormida ou após um longo dia de trabalho;
  • Já estão todos cientes, mas sempre é válido lembrar: em hipótese alguma, dirigir após consumir bebida alcoólica.

Por fim, com relação ao uso de medicamentos e direção, os pacientes ainda podem dirigir com segurança enquanto estiver tomando a maioria dos medicamentos. Vale orientá-los sobre possíveis efeitos colaterais. Por exemplo, alguns anti-histamínicos e medicamentos para dormir funcionam por períodos mais longos que outros.

Para gerenciar ou minimizar os efeitos colaterais durante a condução, pode-se ajustar a dose, ajustar o momento em que o paciente toma o medicamento ou alterar o medicamento para outro que cause menos efeitos colaterais.

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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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