Ginecologia e Obstetrícia

SOP em adolescentes: o que muda em relação às mulheres adultas?

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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é caracterizada primariamente por sinais e sintomas de disfunção ovulatória e hiperandrogenismo. Os critérios diagnósticos e o manejo em adolescentes podem ser diferentes dos utilizados em mulheres jovens, considerando as alterações fisiológicas da maturidade puberal.

Diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos

Confira algumas das particularidades do diagnóstico da SOP nessa população.

Irregularidade menstrual

A imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise pode levar à irregularidade menstrual fisiológica nos primeiros três a quatro anos após a menarca (período de maturação dos ciclos). Devem ser investigadas:

  • Adolescentes que apresentam amenorreia primária com mais de 15 anos de idade ou há mais de três anos após telarca;
  • Amenorreia secundária por mais de 90 dias, um ano após a menarca;
  • Ciclos menores que 21 dias ou maiores que 45 dias no primeiro ao terceiro ano após a menarca;
  • Ciclos com duração maior que 35 dias ou menor que 21 dias, ou menos que oito ciclos por ano, três anos após a menarca até a perimenopausa.

Veja também: Como manejar o sangramento uterino intenso em adolescentes com coagulopatias?

Hiperandrogenismo

Os sinais clínicos característicos são hirsutismo (escore de Ferriman-Gallwey maior ou igual a 4 ou 6, dependendo da etnia), acne grave e alopecia androgênica (superior/frontal).

A gravidade do hiperandrogenismo clínico não se correlaciona com a concentração plasmática de androgênios. A avaliação laboratorial deve incluir dosagens séricas de testosterona total, androstenediona, SHBG, SDHEA e 17-OH-progesterona. A dosagem de testosterona livre deve ser evitada por particularidades dos métodos disponíveis.

Morfologia dos ovários

A definição ultrassonográfica clássica consiste em ovário aumentado com contagem de folículos maior ou igual a 20, utilizando probe transvaginal e alta resolução. No entanto, a avaliação em adolescentes pode ser dificultada pela ação das gonadotrofinas, que podem dar ao ovário aspecto aumentado e multifolicular, que não necessariamente está associado à anovulação ou alterações metabólicas. Além disso, o uso do ultrassom transvaginal em adolescentes é limitado. Dessa forma, avaliação da morfologia dos ovários por USG em adolescentes não é necessária.

Excluir outras causas

De maneira similar à avaliação de mulheres adultas, é necessário excluir outras causas de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, como hiperplasia adrenal congênita, tumores secretores de androgênio, disfunção tireoideana, hiperprolactinemia, síndrome de Cushing, uso de esteroides exógenos e resistência insulínica grave. Apesar de a resistência insulínica e obesidade serem bastante frequentes em pacientes com SOP, não são consideradas como critérios para diagnóstico.

Leia mais: Comorbidades na síndrome do ovário policístico: o que devemos analisar?

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome pode ser considerado em adolescentes com oligomenorreia persistente três a quatro anos após a menarca, com sinais de hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial, excluindo outras doenças.

Quando a oligomenorreia não persiste por mais de dois anos, considera-se essas pacientes como tendo risco para SOP, o que requer acompanhamento longitudinal e avaliação adicional. Adiar o diagnóstico nessas pacientes é importante para evitar o sobrediagnóstico, intervenções e ansiedade desnecessárias.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Witchel SF, Oberfield SE, Peña AS. Polycystic Ovary Syndrome: Pathophysiology, Presentation, and Treatment With Emphasis on Adolescent Girls. J Endocr Soc. 2019;3(8):1545–1573. Published 2019 Jun 14. doi:10.1210/js.2019-00078
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Publicado por
Julianna Vasconcelos Gomes

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