Supra de aVR tem relação com pior evolução pós-infarto?

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A derivação aVR no eletrocardiograma (ECG) é uma derivação unipolar que fornece dados sobre a porção superior direita do coração. Por muito tempo foi negligenciada, porém nos últimos anos temos visto que alterações nesta derivação em casos de síndrome coronariana aguda (SCA) podem nos dar informações interessantes.  

A identificação de alterações do segmento ST em aVR, principalmente seu supradesnivelamento, em pacientes com evento agudo nos ajuda a localizar a lesão culpada, já que este achado está associado a doença coronariana triarterial ou que envolve o tronco da coronária esquerda (TCE). Além disso, alguns estudos mostraram que quando o supradesnivelamento de aVR ocorre junto com o da parede anterior, o prognóstico do paciente é pior. Já quando ocorre junto com o supradesnivelamento da parede inferior a estimativa do prognóstico não é tão consistente. 

Alguns estudos sugerem que o supradesnivelamento do segmento ST em aVR tem relação com pior prognóstico mesmo após revascularização coronária e o nível de alteração do segmento ST nesta derivação se correlaciona com o grau de reperfusão da artéria, assim como com a reestenose de stent pós angioplastia.  

O infradesnivelamento do segmento ST em aVR também parece ter relação com prognóstico, porém é menos estudado. Esta alteração pode representar imagem em espelho de um supradesnivelamento em V5 ou V6, mas principalmente em V7, que não costuma ser feita de forma rotineira.

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Estudo

Um estudo de 2021 avaliou pacientes com um primeiro evento de SCA com supradesnivelamento do segmento ST submetidos a angioplastia em relação as alterações em AVR. Este estudo mostrou que supradesnivelamento de ST em aVR maior ou igual a 1mm em pacientes com SCA com supradesnivelamento de ST em parede anterior foi preditor de eventos em 30 dias, assim como infradesnivelamento em aVR maior ou igual a 1mm em pacientes com SCA com supradesnivelamento de ST em parede inferior. Esses pacientes tiveram maior ocorrência de angina instável, infarto agudo do miocárdio ou morte cardíaca em 30 dias. 

Recentemente foi publicado um trabalho na European Heart Journal que avaliou associação do supradesnivelamento de ST em aVR com desfechos cardiovasculares no paciente com SCA. 

Foi um trabalho de coorte retrospectivo que incluiu pacientes com angina instável, SCA sem supradesnivelamento e com supradesnivelamento do segmento ST. A variável independente foi o supradesnivelamento em aVR e o desfecho primário foi mortalidade intra-hospitalar.

Leia também: Podemos usar a troponina para diferenciar IAM tipo 1 de outras causas de lesão miocárdica?

Foram incluídos 108 pacientes com SCA, sendo a maioria do sexo masculino e idade próxima de 60 anos. Na angiografia, os pacientes com supradesnivelamento em aVR tinham doença aterosclerótica significativa no tronco da coronária esquerda ou doença aterosclerótica multiarterial e sua mortalidade intra-hospitalar foi maior quando comparado aos pacientes sem alteração em aVR (OR 17, IC95% 4,38 – 67,50, p < 0,001). 

Sendo assim, em pacientes com evento agudo, a presença de alterações do segmento ST em aVR, facilmente identificadas, além de ajudar a localizar a lesão obstrutiva parece ajudar na avaliação do prognóstico e estimativa de risco dos pacientes, que evoluem com maior taxa de novos eventos precocemente.

Referências bibliográficas:

  • Sedighi S, Fattahi M, Dehghani P, Aslani A, Mehdipour Namdar Z, Hassanzadeh M. aVR STsegment changes and prognosis of ST-segment elevation myocardial infarction. Health Sci Rep. 2021;4:e387. doi: 10.1002/hsr2.387
  • R A Cordovez, Association of aVR ST-elevation with outcomes in patients with acute coronary syndrome, European Heart Journal, Volume 43, Issue Supplement_1, February 2022, ehab849.083, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab849.08

 

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