Neurologia

SUS disponibiliza fumarato de dimetila como primeira opção para esclerose múltipla

Tempo de leitura: 2 min.

Uma boa notícia para os pacientes com esclerose múltipla. Em breve, o fumarato de dimetila estará disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também como opção para primeiro tratamento para portadores de esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O fármaco já faz parte do tratamento para a doença no SUS, mas como segunda opção terapêutica.

Em estudos clínicos recentes, o medicamento apresentou maiores benefícios e menos efeitos adversos comparados aos demais tratamentos já disponibilizados para a enfermidade.

O remédio estará à disposição da população em até 180 dias, a contar da data de publicação da portaria nº 65, divulgada em 27 de dezembro de 2019, no Diário Oficial da União (DOU).

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Fumarato de dimetila para esclerose múltipla

Anteriormente, a substância era indicada apenas para os casos que não apresentam a melhor resposta ou que manifestam falha a qualquer medicamento da primeira linha de tratamento. Contudo, novos estudos avaliados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) comprovaram a segurança, a eficácia e o custo-benefício do remédio para o tratamento também como primeira linha.

Leia também: Disfunção cognitiva é indício importante em casos de esclerose múltipla

Em termos de custo-efetividade e de impacto orçamentário, há expectativa de possível economia de recursos com a utilização do fumarato de dimetila em primeira linha terapêutica, com uma economia progressiva estimada de até R$ 6,2 milhões nos primeiros cinco anos da sua incorporação.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns incluem:

  • Sensação de calor (flush);
  • Perturbação gastrointestinal, com diarreia, mal-estar e dor abdominal;
  • Leucopenia;
  • Erupção cutânea;
  • Aumento dos níveis de enzimas hepáticas;
  • Presença de cetonas e proteínas na urina.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma enfermidade que ataca as células nervosas do paciente, afetando principalmente o sistema nervoso central. Atinge adultos de 18 a 55 anos de idade, sendo mais frequente em mulheres brancas, levando a importantes consequências físicas e cognitivas, como dor, problemas com a visão, de equilíbrio e perda de força.

Além da esclerose múltipla remitente-recorrente, responsável por 85% dos casos, existem mais duas formas principais de evolução clínica da doença: secundariamente progressiva (EMSP) e primariamente progressiva (EMPP).

Estima-se que 2,3 milhões de pessoas vivam com esclerose múltipla no mundo. No país, a sua prevalência pode variar de 1,36 a 27,7 casos por 100 mil habitantes, de acordo com a região.

Veja ainda: Esclerose múltipla: como diagnosticar corretamente a doença?

Outros tratamentos no SUS

O SUS conta com a Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Neurológica para atender a pacientes com esclerose múltipla e demais enfermidades neurológicas.

No total, são disponibilizados 44 procedimentos (clínicos e de reabilitação) para a doença, de forma integral e gratuita. Também há um conjunto de medicamentos ofertados especificamente para o tratamento de esclerose múltipla aos pacientes cadastrados no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) a pacientes que se enquadram nos critérios clínicos e nas diretrizes terapêuticas determinadas pelo PCDT.

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, foram investidos mais de R$ 279 milhões para aquisição de medicamentos para tratamento da enfermidade no SUS, atendendo a 15.689 usuários.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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