Infectologia

Técnica que esteriliza o mosquito Aedes aegypti é adotada pela OMS

Tempo de leitura: 2 min.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai adotar uma técnica de esterilização que utiliza a radiação contra o mosquito Aedes aegypti. A denominada técnica do inseto estéril (sterile insect technique – SIT) envolve a criação e a liberação de milhares de mosquitos machos incapazes de se reproduzirem, mesmo soltos na natureza e se acasalando com as fêmeas.

A expectativa dos pesquisadores é que a quantidade de mosquitos da espécie Aedes aegypti diminua a médio e longo prazo, especialmente nos países tropicais, como o Brasil, mais afetados por doenças como dengue, febre amarela, zika e chikungunya.

O programa é uma parceria da entidade com o Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Técnica contra Aedes aegypti

A técnica foi desenvolvida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) visando o combate de insetos e pestes que atingem o setor agropecuário. Atualmente, esse método já vem sendo utilizado na agricultura em seis continentes.

As quatro opções estratégicas nas quais insetos estéreis estão sendo implantados como parte de um componente do manejo integrado de pragas em toda a área são: supressão, erradicação, contenção e prevenção.

Integrado a outros métodos de controle, a técnica do inseto estéril já conseguiu controlar várias pragas de insetos de alto perfil, incluindo moscas da fruta, mosca tsé-tsé, verme do parafuso, mariposas e mosquitos.

Em vários países onde a tecnologia foi aplicada, estudos retrospectivos de avaliação econômica mostraram um retorno muito alto do investimento.

Algumas pesquisas indicam que a técnica de insetos estéreis (SIT) pode ser impulsionada pela aplicação de biopesticidas em machos estéreis.

Metade do mundo em risco

Em um comunicado divulgado para a imprensa, o cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirma que metade do mundo enfrenta os riscos da dengue. “E, apesar dos nossos grandes esforços, não está sendo suficiente. Precisamos desesperadamente de novas abordagens e esta iniciativa é promissora e empolgante”.

Enfermidades transmitidas pelo Aedes aegypti correspondem a 17% de todas as doenças infecciosas que ocorrem em todo o mundo, causando mais de 700 mil mortes anualmente.

“Se bem-sucedidos, os benefícios potenciais à saúde podem ser enormes”, afirmou Raman Velayudhan, coordenador do Departamento de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) da OMS.

Incidência da dengue no mundo

Nas últimas décadas, a incidência de dengue aumentou dramaticamente devido a mudanças ambientais, urbanização não regulamentada, transporte e viagens e ferramentas insuficientes de controle de vetores sustentáveis e sua aplicação.

Leia também: Dengue: caso de transmissão sexual é confirmado na Espanha

Atualmente, surtos de dengue estão ocorrendo em vários países, principalmente no subcontinente indiano. Bangladesh, por exemplo, está enfrentando o pior surto de dengue desde a primeira epidemia registrada em 2000.

Os casos da doença subiram para 92 mil desde janeiro de 2019, com internações diárias chegando a mais de 1.500 novos pacientes de dengue em hospitais nas últimas semanas.

“Muitos países no mundo relatam um aumento na incidência da doença, como Bangladesh, Brasil, Filipinas e em alguns países africanos, além de dez outros países da América Latina”, alertou Raman Velayudhan.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Úrsula Neves

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