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Tecnologias que ampliaram o acesso a tratamentos e diagnósticos no Brasil: Watson for Oncology e Oncofoco

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A evolução tecnológica que a inteligência artificial está trazendo para o campo da medicina é importante para pacientes e profissionais de saúde. E podemos perceber essa evolução principalmente na área de oncologia. O Watson for Oncology, por exemplo, é uma plataforma de computação cognitiva desenvolvida pela IBM. Ele realiza uma busca em bancos de dados da ciência médica mundial para encontrar estudos e evidências recentes que se relacionem aos casos mais desafiadores.

O programa permite a clarificação de percepções, abordagem de novas formas e a tomada de decisões com mais confiança. E, com isso, hospitais começam a utilizar essa inteligência artificial para indicar, com maior precisão, os tratamentos mais adequados para cada paciente.

Em 2017, o Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre (RS) tornou-se o primeiro centro médico da América do Sul a se valer desse recurso. “O Watson for Oncology integra-se ao trabalho de nossos oncologistas como um novo membro da equipe, possibilitando maior acesso à informação curada em tempo real auxiliando e qualificando as decisões dos médicos”, afirma o diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus, Dr. Carlos Barrios.

O Watson for Oncology foi inicialmente treinado pelo Memorial Sloan Kettering Center (MSK), um dos mais importantes centros de estudos sobre a doença no mundo. A plataforma é beneficiada por um processo colaborativo com centenas de médicos oncologistas em todo o mundo.

Dados em grande volume

  • O Watson é uma plataforma de computação cognitiva em nuvem da IBM que analisa grandes volumes de dados com o objetivo de apontar alternativas individualizadas e orientadas ao perfil de cada paciente diagnosticado com câncer;
  • O levantamento considera informações clínicas, históricas e os resultados de exames fornecidos pelo médico diretamente no sistema. A partir daí, informa a relevância de cada tratamento identificado e fornece links de apoio para essas alternativas, incluindo pontos importantes como medicamentos e possíveis efeitos colaterais;
  • Favorece a assertividade, acelera o processo de pesquisa e permite ao profissional dedicar maior parte de seu tempo à interação e discussões do caso com seu paciente;
  • Os médicos podem utilizar a plataforma para obter informações sobre tratamentos de sete tipos de câncer: colo do útero, pulmão, mama, intestino, reto, estômago e ovário;
  • A plataforma conta com 18 categorias da doença catalogadas;
  • O sistema utiliza como base evidências científicas mensalmente atualizadas e classificadas por ordem de relevância por profissionais usuários de diversos países. A solução colaborativa possui mais de 15 milhões de conteúdos científicos, incluindo cerca de 200 textos médicos e 300 artigos.

Watson Health: tecnologia a favor da medicina de precisão

Tratamentos recomendados pelo Watson se parecem com os dos médicos na maior parte dos casos. Especificamente na Índia, o Watson diagnosticou e passou tratamento 96,4% das vezes igual aos de equipes médicas. Os dados foram apresentados pela IBM em um evento da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em 2017.

Em 126 pacientes de câncer de colo do útero, a plataforma tomou a mesma decisão que os médicos 81% das vezes. O desempenho foi melhor em câncer retal, com 92,7% de concordância entre humanos e o robô da IBM.

Entretanto, na Coreia do Sul, a taxa de equivalência entre o IBM Watson e a medicina local é de apenas 49% para câncer no estômago. Nesse caso, a disparidade se dá por conta das diretrizes oncológicas entre o país asiático e o centro onde o Watson Health é treinado.

Conheça o Oncofoco, tecnologia que faz uma análise do DNA do paciente e investiga possíveis mutações genéticas relacionadas a tumores

Desde maio de 2018, uma outra tecnologia baseada nos serviços do Watson também está à disposição dos médicos brasileiros. O Oncofoco, criado pelo Fleury Medicina e Saúde em parceria com a IBM, faz uma análise do DNA do paciente e investiga possíveis mutações genéticas relacionadas a tumores.

“Ele é indicado a pacientes que têm câncer de maior complexidade e não respondem a tratamentos-padrão, ajudando a definir a melhor terapia para essas situações”, explica a médica Jeane Tsutsui, diretora de negócios do Fleury.

O sequenciamento genético, por si só, é outra inovação que vem facilitando a vida de médicos e pacientes – ele já estava disponível para testes em áreas como psiquiatria, neurologia, cardiologia pré e neonatal. A oncologia, no entanto, é a primeira a unir a genômica e a inteligência artificial.

A novidade é que, além de inspecionar o DNA, há um passo seguinte no qual os dados do paciente são submetidos ao Watson, que faz uma varredura nas pesquisas internacionais para encontrar exemplos que sejam relevantes para a mutação encontrada.

A nova tecnologia, que foi submetida aos processos de validação, conta com duas versões: Oncofoco Ampliado, que pode avaliar as alterações em 366 genes, e Oncofoco simples, que avalia 72 genes. Estes exames são voltados aos pacientes com câncer em fase de metástase e que não respondem aos tratamentos convencionais.

As pesquisas utilizaram as amostras tumorais de biopsias ou incisões cirúrgicas que foram processadas no Fleury, em um painel de sequenciamento de próxima geração (Next Generation Sequencing – NGS).

Tecnologias que ampliaram o acesso a tratamentos e diagnósticos no país: Telessaúde

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