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Telemedicina versus consulta presencial na era da covid-19

Tempo de leitura: 4 min.

Consulta presencial ou telemedicina? Qual a sua preferência desde o surgimento da pandemia Covid-19, associada ao coronavírus SARS-CoV-2?

Um estudo publicado recentemente por Predmore et al. (2021) descreve que a maioria dos americanos participantes prefere consultas presenciais para os cuidados não emergenciais, em detrimento das consultas on-line e/ou telemedicina. Mesmo frente aos custos financeiros geralmente mais altos no atendimento presencial, essa ainda permanece como preferência dentre os entrevistados. 

O estudo

Esse estudo publicado na revista científica JAMA Network Open foi realizado por entrevista a partir de amostra representativa de indivíduos adultos membros do RAND American Life Panel, através do questionário American Life Panel Omnibus Survey em março de 2021. Os participantes foram pagos para participar da entrevista. As perguntas incluíram perguntas como sobre a preferência quanto ao teleatendimento vs presencial, e os custos (10 dólares para a modalidade não escolhida vs 30 dólares para a opção escolhida), além de características demográficas, experiência e desejo com consultas em telemedicina, e outras. De 3391 indivíduos selecionados, um total de 2080 (61,3%) completou o questionário. A média de idade dos entrevistados foi de 51,1 anos e 51,9% mulheres. A maioria dos participantes (66,5%) preferiu, pelo menos uma consulta on-line em abordagem futura, mas quando necessária a escolha entre consulta presencial ou telemedicina para algum cuidado em saúde não emergencial, 53% dos entrevistados optaram pela consulta presencial, 20,9% preferiram a consulta por vídeo, e 26,2% não expuseram suas preferências ou não exibiram preferência. Quarenta e cinco por cento dos participantes relataram já terem participado de uma ou mais consultas on-line previamente desde março de 2020. Dentre esses:  

  • 44,2% preferiram visitas presenciais; 
  • 31,4% preferiram consulta por vídeo; 
  • Somente 2,3% indicaram não ter a intenção de novas consultas on-line futuramente.  

Considerando os participantes sem experiência prévia com consultas por vídeo, 60,2% optaram por consulta presencial e somente 12,2% indicaram a telemedicina como preferência. O restante não indicou sua opção pessoal. Observou-se que os pacientes jovens, de maior classe econômico-social e educacional foram mais propensos à telemedicina. Pacientes negros apresentaram maior preferência pelo atendimento presencial, enquanto latino-americanos apresentaram perfil oposto. Idosos moradores em áreas rurais, baixo poder aquisitivo ou nível educacional optaram pelo atendimento tradicional presencial.  

Dentre os que inicialmente preferiram os cuidados presenciais sem considerar diferenças nos custos, 49,8% mantiveram as suas opções e 23,5% alteraram a opção para telemedicina quando confrontados com os maiores custos relativos aos cuidados no atendimento presencial. Em contraste, dentre aqueles que inicialmente optaram pela telemedicina, somente 18,9% mantiveram sua opção e 61,7% mudaram a opção caso o atendimento por vídeo apresentasse valores mais altos. 

Quando questionados quanto aos motivos das opções pelas visitas presenciais, os pacientes indicaram razões como:  

  • Costume ou rotina de atendimentos prévios; 
  • Reconhecimento da importância da avaliação dos sinais vitais e exame físico;  
  • Possibilidade de realização de testes diagnósticos; 
  • Importância da relação médico-paciente.  

PEBMED e HA: telemedicina e o cuidado no uso nocivo de substâncias [podcast]

Tais resultados descrevem a intenção dos participantes a optar por consultas via telemedicina mas preferiram o atendimento presencial mesmo com maiores custos, e aqueles que tiveram como escolha inicial os teleatendimentos se apresentaram mais sensíveis à influência de custos financeiros. Esses achados sugerem que a compreensão das preferências dos pacientes permitirá ajustar o papel preciso da telemedicina como metodologia empregada nos cuidados em saúde. É importante relembrar que uma das possibilidades da telemedicina é também permitir maior alcance e acesso dos serviços em saúde para as categorias de pacientes com dificuldade à assistência presencial.  

Referências bibliográficas:

  • Predmore ZS, Roth E, Breslau J, Fischer SH, Uscher-Pines L. Assessment of Patient Preferences for Telehealth in Post–COVID-19 Pandemic Health Care. JAMA Netw Open. 2021;4(12):e2136405. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.36405

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Publicado por
Rafael Duarte

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