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Terapia antirretroviral gera ganho de peso?

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A terapia antirretroviral (TARV) de alta potência mudou a história natural da infecção pelo HIV, com redução importante da mortalidade e aumento de sobrevida. Em um tempo em que controlar o vírus não é mais o grande desafio, o manejo de comorbidades e de eventos adversos causados pelas medicações ganha destaque na prática médica.

Diferentes classes de antirretrovirais usados na terapia antirretroviral estão associadas a eventos adversos, como dislipidemia, disfunção renal, desmineralização óssea, aumento do risco cardiovascular, entre outros, e novos estudos mostram que o ganho de peso também pode ser um efeito colateral de algumas dessas medicações.

Leia também: Covid-19 em imunossuprimidos — parte II: como a doença age em indivíduos com HIV?

Terapia antiretroviral contra o HIV/AIDS pode gerar ganho de peso nos pacientes

Materiais e métodos

Uma publicação da Clinical Infectious Diseases avaliou os dados combinados de oito estudos envolvendo indivíduos infectados pelo vírus HIV em início de TARV. Em todos os estudos, os participantes foram avaliados periodicamente em relação a peso, IMC, carga viral do HIV, contagem de células CD4 e glicemia.

Resultados

Ao todo, foram analisados os dados de 5.680 participantes. O IMC médio antes do início da TARV foi de 24,8 kg/m², sendo 16,3% dos indivíduos incluídos classificados como obesos, 31,4% com sobrepeso e 52,3% tinham peso normal ou estavam abaixo do peso. Ganho de peso foi notado em todos os braços de todos os estudos, com maior magnitude nos estudos mais recentes. O ganho de peso também ocorreu de forma mais pronunciada nos braços que usavam o esquema em estudo do que nos braços controle.

A média de ganho de peso nos estudos foi de 2 kg em 96 semanas, com maiores taxas nas primeiras 48 semanas. Ao longo das 96 semanas, 48,6% apresentaram um aumento de 3% no peso em relação ao início do estudo, 36,6% ganharam 5% e 17,3% tiveram aumento de 10%. A proporção de indivíduos com sobrepeso e obesidade aumentou ao longo do período de seguimento, enquanto aproximadamente 30,2% dos participantes perderam peso.

O fator com maior associação com ganho de peso foi a contagem de células CD4: participantes com CD4 < 200 no início dos estudos ganharam em média 2,97 kg a mais dos os com CD4 > 200 (IC 95% = 2,81 – 3,13; p < 0,001). Além disso, houve relação direta entre o aumento de linfócitos CD4 e o aumento no peso. Outros fatores associados a ganho de peso foram: maior carga viral, presença de HIV sintomático ou AIDS, não uso de drogas injetáveis, etnia negra, sexo feminino, idade < 50 anos e obesidade no início do estudo.

Saiba mais: Metas globais de HIV para 2020 não serão alcançadas, aponta relatório do UNAIDS

Correlação

Ao analisar a correlação de aumento de peso e a classe de antirretroviral, a análise combinada encontrou associação com o uso de inibidores de integrase, inibidores de transcriptase reversa não análogos de nucleosídeo e inibidores de protease, sendo os primeiros os associados a maior ganho médio de peso. Entre os inibidores de integrase, bictegravir (não disponível no Brasil) e dolutegravir (DTG) estiveram associados a ganho semelhante de peso, ambos maiores do que o associado ao elvitegravir. Em relação aos inibidores de transcriptase reversa, rilpivirina esteve associado a maior ganho de peso do que efavirenz; enquanto, para os análogos de nucleosídeo, tenofovir alafenamida (TAF), abacavir e tenofovir-disoproxil (TDF) foram, respectivamente, os mais associados.

O estudo também procurou avaliar os fatores de risco associados especificamente com ganho de peso > 10% em relação ao basal. Mulheres, negros, menor peso ou IMC basal, menor contagem de células CD4 e maior carga viral estiveram associados a esse aumento significativo. Comparados com efavirenz, bictegravir, dolutegravir, elvitegravir e rilpivirina — mas não atazanavir/ritonavir — estiveram associados a > 10% de ganho de peso. Já comparados com zidovudina, TAF — mas não abacavir ou TDF — esteve associado a esse nível de ganho de peso.

O aumento > 10% no peso não resultou em maior prevalência de mudança nos valores de glicemia do que os indivíduos com ganho < 10%, porém eventos adversos relacionados a diabetes ou hiperglicemia foram mais incidentes no primeiro grupo, mas sem atingir diferença estatisticamente significativa. Três dos 8 estudos apresentaram dados sobre os níveis pressóricos dos participantes, sem diferença entre os que ganharam > 10% e os que ganharam < 10% do peso.

Mensagens práticas

  • O uso de TARV esteve associado a ganho significativo de peso nas primeiras 96 semanas em mais de 10% dos participantes iniciando tratamento contra HIV;
  • Dolutegravir, um inibidor de integrase presente no atual esquema de primeira linha brasileiro, foi um dos antirretrovirais associados com ganho de peso. Os inibidores de integrase foram a classe de antirretrovirais associada ao maior aumento médio de peso;
  • Baixos valores de células CD4 e maiores valores de carga viral de HIV também foram fatores associados a ganhos maiores de peso nos estudos avaliados;
  • Atenção para controle de peso e outros fatores de risco para síndrome metabólica e eventos cardiovasculares é necessária ao longo do tratamento de indivíduos infectados pelo vírus HIV, especialmente os que iniciam tratamento com DTG e apresentam imunossupressão grave e alta carga viral. Orientações e incentivo à adoção de hábitos saudáveis devem ser reforçadas rotineiramente.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Sax PE, et al. Weight Gain Following Initiation of Antiretroviral Therapy: Risk Factors in Randomized Comparative Clinical Trials. Clinical Infectious Diseases. doi: 10.1093/cid/ciz999
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