Neurologia

Terapia farmacológica para fadiga na esclerose múltipla (EM)

Tempo de leitura: 3 min.

A esclerose múltipla (EM) é uma doença imunomediada, inflamatória e desmielinizante do sistema nervoso central, que acomete principalmente adultos jovens.

Leia também: Fadiga como sintoma persistente de Covid-19

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Fadiga como sintoma

Uma série de sinais/sintomas podem ocorrer em pacientes com EM, a depender da topografia das áreas afetadas. Apresenta uma evolução disseminada no tempo e no espaço. Disfunção cognitiva, depressão, fadiga e comprometimento da marcha são cada vez mais comuns com a progressão da doença, gerando incapacidades funcionais.

A fadiga é uma queixa frequente em pacientes com EM. Geralmente é descrita como exaustão física não relacionada à quantidade de atividade realizada.

Por ser uma queixa subjetiva, devemos ter muito cuidado na avaliação destes pacientes. Escalas de autoavaliação são utilizadas para melhor estudar este sintoma subjetivo, como por exemplo a escala de Severidade de Fadiga, a Escala de Fadiga de Chalder modificada, Escala de Impacto da Fadiga Modificada que apresentam como objetivo quantificar a fadiga, e o Questionário sobre Fadiga, que fornece informações ao examinador sobre os fatores de melhora ou piora, além das suas principais características e o impacto na vida diária. É de suma importância buscar fatores que mimetizam ou exacerbam a fadiga, como depressão, anemia, distúrbios do sono, distúrbios endocrinológicos e efeitos colaterais de medicamentos.

Tratamento

De uma formal geral, estratégias não farmacológicas são indicadas para tratar a fadiga na EM, uma vez que o benefício dos medicamentos não é comprovado. Podemos citar: Atividade física não extenuante, mecanismo de resfriamento ativo (por exemplo, coletes de resfriamento, almofadas de resfriamento, ar condicionado com controle remoto manual), terapia cognitivo-comportamental e educação do paciente. Importante ressaltar que cerca de 60 a 80% dos pacientes mostram-se sensíveis ao aumento de temperatura, seja relacionado ao clima ou simplesmente após um banho quente, pode exacerbar sintomas, como a fadiga.

Saiba mais: Novo exame de sangue identifica síndrome da fadiga crônica

Como opções farmacológicas, vários medicamentos orais podem ser tentados se os métodos não farmacológicos forem ineficazes. Alguns pacientes com EM com fadiga debilitante podem se beneficiar de agentes farmacológicos. No entanto, os dados de estudos randomizados não suportam a eficácia dos medicamentos para a fadiga na EM, todos os quais podem estar associados a efeitos colaterais limitantes. São opções: modafinil, anfetamina, metilfenidato, Inibidores da receptação da serotonina e amantadina.

Em um estudo cruzado cego, 141 pacientes com esclerose múltipla e fadiga foram aleatoriamente designados para um dos quatro tratamentos (amantadina oral , modafinil, metilfenidato ou placebo) por até seis semanas. O desfecho primário foi a Escala de Impacto da Fadiga Modificada (MFIS), em que pontuações mais baixas indicam menos fadiga. O estudo descobriu que cada tratamento levou a uma redução na pontuação MFIS de aproximadamente 10 pontos, assim como o placebo. No entanto, os eventos adversos foram mais comuns com os medicamentos ativos. Qualquer benefício percebido desses medicamentos pode ser devido ao efeito placebo.

Estratégias não farmacológicas continuam sendo as melhores opções para o tratamento da fadiga na esclerose múltipla.

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Referências bibliográficas:

  • Bourdette D. Are drugs for multiple sclerosis fatigue just placebos? Lancet Neurol. 2021; 20:20. doi: 10.1016/S1474-4422(20)30415-4
  • Nourbakhsh B, Revirajan N, Morris B, et al. Safety and efficacy of amantadine, modafinil, and methylphenidate for fatigue in multiple sclerosis: a randomised, placebo-controlled, crossover, double-blind trial. Lancet Neurol. 2021; 20:38. doi: 10.1016/S1474-4422(20)30354-9
  • Asano M, Finlayson ML. Meta-analysis of three different types of fatigue management interventions for people with multiple sclerosis: exercise, education, and medication. Mult Scler Int. 2014; 2014:798285. doi: 10.1155/2014/798285
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Publicado por
Felipe Resende Nobrega

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