Termo tardio e pós-termo: indução ou conduta expectante?

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É sabido que os resultados perinatais adversos aumentam gradativamente após 40 semanas de gestação, especial e consideravelmente após 42 semanas (pós-termo). No mundo, acredita-se que cerca de 14% dos casos de natimorto sejam associados à gestação prolongada.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a indução do parto a partir de 41 semanas de gestação como estratégia para reduzir esses riscos, porém não há consenso de como a gestação deve ser manejada no termo tardio.

Como manejar gestação no termo tardio

Um estudo randomizado controlado multicêntrico sueco (SWEPIS) visava comparar a indução com 41 semanas de gestação com a conduta expectante e indução com 42 semanas de gestação no que diz respeito aos seguintes desfechos: natimortalidade, mortalidade neonatal, APGAR <7 no primeiro minuto, acidose metabólica, encefalopatia hipóxico-isquêmica, hemorragia intracraniana, convulsões, aspiração meconial, necessidade de ventilação mecânica ou lesão de plexo braquial obstétrica.

O desfecho primário analisado seria o “desfecho perinatal composto”, que considerava pelo menos um dos desfechos citados. Foram randomizadas 2760 gestantes de risco habitual e gestação única nos grupos intervenção (1381) e conduta expectante (1379).

Mais da autora: ERAS: Guideline para cuidados perioperatórios em cesariana (parte 1: pré-op)

Resultados

O estudo foi interrompido antes do previsto por questões éticas, devido à taxa significativamente aumentada de mortalidade perinatal no grupo do manejo expectante. Não houve morte perinatal no grupo da indução, porém ocorreram seis óbitos no grupo do manejo expectante (cinco natimortos e um óbito neonatal precoce).

A proporção de taxa de cesariana, parto instrumental ou morbidade materna maior não apresentou diferença significativa entre os dois grupos.

Embora não tenha sido evidenciada diferença no desfecho primário (desfecho perinatal composto) quando comparando o grupo de indução com o da conduta expectante, esse resultado deve ser interpretado com muita cautela.

Com base nos dados já existentes e com os encontrados, os pesquisadores sugeriram que a indução deve ser oferecida a gestantes com idade gestacional igual a 41 semanas ou antes, podendo ser uma das poucas intervenções que reduz a taxa de natimortalidade.

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Referência bibliográfica:

  • Induction of labour at 41 weeks versus expectant management and induction of labour at 42 weeks (SWEdish Post-term Induction Study, SWEPIS): multicentre, open label, randomised, superiority trial. BMJ 2019; 367 doi: https://doi.org/10.1136/bmj.l6131 (Published 20 November 2019).
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