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pai segurando a mão de bebe

Teste do coraçãozinho: porque o teste da oximetria se tornou obrigatório nas maternidades

Tempo de leitura: 3 minutos.

Os testes de triagem neonatal foram implementados com o objetivo de diagnosticar doenças ou alterações congênitas que podem prejudicar o desenvolvimento dos recém-nascidos, e que terão melhor prognóstico caso sejam descobertas precocemente.

Ainda na maternidade, deve-se realizar os testes popularmente conhecidos como olhinho (reflexo do olho vermelho), orelhinha (emissões otoacústicas) e coraçãozinho (oximetria), que pesquisam alterações oftalmológicas, auditivas e cardíacas, respectivamente. Entre o terceiro e o quinto dia de vida completa-se a triagem neonatal com o teste do pezinho, que pesquisa doenças metabólicas.

Dentre os testes citados anteriormente, o mais recentemente adotado no Brasil foi o teste da oximetria, que atualmente tornou-se obrigatório, e deve ser feito antes da alta da maternidade. O exame procura detectar a presença de cardiopatias congênitas críticas, que podem acometer de 1 a 2 a cada mil nascidos vivos, e são malformações dependentes da patência do canal arterial para sobrevivência.

As manifestações clínicas das cardiopatias críticas, incluindo a cianose, se tornam mais evidentes apenas após o fechamento do canal arterial, por isso poderiam passar despercebidas nas primeiras horas de vida. Estão incluídas nesse grupo:

– Cardiopatias com fluxo pulmonar dependente do canal arterial (ex: Atresia pulmonar e similares)
– Cardiopatias com fluxo sistêmico dependente do canal arterial (Síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, coarctação de aorta crítica e similares)
– Cardiopatias com circulação em paralelo (transposição das grandes artérias)

O diagnóstico precoce dessas situações melhora o prognóstico e diminui a morbi-mortalidade associada às doenças, por isso é de grande interesse a utilização da oximetria de pulso como método de rastreio.

A justificativa para o seu uso reside no fato de algumas dessas cardiopatias já apresentarem a hipoxemia antes mesmo da cianose ser percebida visualmente; ocorre uma mistura de sangue entre as circulações sistêmica e pulmonar, o que acarreta uma redução da saturação periférica de oxigênio.

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Execução do teste

Para a adequada medida, é necessário que o recém-nascido esteja com as extremidades aquecidas e o monitor evidencie uma onda de traçado homogêneo. Deve ser feito entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar.

Local da aferição da oximetria de pulso:

– no membro superior direito (mão ou punho)
– em um dos membros inferiores (pé direito ou esquerdo)

O resultado será normal se ambas as saturações forem maiores que 95%, e a diferença entre elas menor que 3%. Caso o teste seja alterado, deve-se repeti-lo em uma hora para confirmação do resultado, que permanecendo alterado, impede a alta hospitalar e indica a realização de um ecocardiograma dentro de 24 horas.

Antes da implementação do teste, muitos recém-nascidos recebiam alta hospitalar sem o diagnóstico, e podiam evoluir para choque, hipóxia ou óbito precoce, antes de receber tratamento adequado. A oximetria de pulso é um teste não invasivo, não doloroso, de fácil execução e que tem mostrado uma elevada sensibilidade e especificidade para detecção precoce destas cardiopatias, podendo assim salvar vidas.

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Referências:

  • Diagnóstico precoce de cardiopatia congênita crítica: oximetria de pulso como ferramenta de triagem neonatal, Departamentos de Cardiologia e Neonatologia da SBP, 2011
  • Testes de triagem neonatal, Daniel Luis S. Gilban, Comitê de Pediatria Ambulatorial da SOPERJ
  • Morais S et al. – Oximetria e diagnóstico cardiopatia congênita, Acta Pediatr Port 2013:44(6):343-7

2 Comentários

  1. Michele Hessel

    Parabéns pelo texto, bastante informativo e de fácil compreensão

  2. Texto esclarecedor! Didático! Parabéns!

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