Coronavírus

Teste na saliva seria uma boa opção para diagnóstico de Covid-19?

Tempo de leitura: 2 min.

Desde que a pandemia iniciou, um dos pilares da abordagem era aplicar testes rápidos e precisos. O padrão-ouro atualmente continua sendo o uso de amostras esfregaço nasofaríngeo para detectar SARS-CoV-2, apesar de ter uma coleta desconfortável. Neste contexto, da pandemia de Covid-19, as amostras de saliva surgem como uma possibilidade. O NEJM publicou um artigo avaliando a sensibilidade das amostras de saliva durante o curso da infecção.

Leia também: Covid-19: a contínua importância de detectar os assintomáticos

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Método do estudo

Um total de 70 pacientes internados com Covid-19 participaram do estudo. Após a confirmação de Covid-19 por esfregaço de nasofaringe, foram obtidas amostras de saliva, coletadas pelos próprios pacientes. Seguem alguns resultados:

  • Foram detectadas mais cópias de RNA de SARS-CoV-2 nas amostras de saliva do que espécimes de esfregaço nasofaríngeo.
  • Uma porcentagem maior de amostras de saliva em comparação com amostras de esfregaço nasofaríngeo foi positiva até 10 dias após o diagnóstico de Covid-19.
  • Entre 1 a 5 dias após o diagnóstico, 81% das amostras de saliva foram positivas, em comparação com 71% das amostras de esfregaço nasofaríngeo, o que sugere sensibilidade semelhante entre as amostras.
  • O nível de RNA de SARS-CoV-2 diminuiu após o início dos sintomas em ambas as amostras de saliva e espécimes de esfregaço nasofaríngeo. Em três casos, uma amostra negativa de esfregaço nasofaríngeo foi seguida por um esfregaço positivo na próxima coleta de uma amostra. Este fenômeno ocorreu apenas uma vez com as amostras de saliva.

Mensagem prática

A coleta de amostras de saliva tem algumas vantagens como eliminar a necessidade de interação direta entre profissionais de saúde e pacientes, além de aliviar a demanda por suprimentos de cotonetes e equipamentos de proteção individual. Outro ponto a ser considerado é que o procedimento da coleta é muito simples e nada doloroso (quem já colheu o esfregaço nasofaríngeo pode relatar como incomoda).

Dada a crescente necessidade de testes, os resultados do estudo fornecem suporte para o potencial das amostras de saliva no diagnóstico da infecção por SARS-CoV-2. Porém, aguardamos estudos adicionais para que este tipo de exame seja incorporado à prática clínica.

Você pode obter mais informações sobre Covid-19 na nova edição da Revista PEBMED

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Anne L. Wyllie, Ph.D. et al. Saliva or Nasopharyngeal Swab Specimens for Detection of SARS-CoV-2. Carta ao editor. NEJM. Agosto 2020. doi: 10.1056/NEJMc2016359
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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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