Nefrologia

Teste rápido para diagnóstico de doença renal crônica está a caminho

Tempo de leitura: 3 min.

Um teste rápido que vai ajudar no diagnóstico da doença renal crônica está sendo desenvolvido no laboratório do Departamento de Patologia Básica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo os pesquisadores, o exame serve para identificar a quantidade de toxinas urêmicas circulando no organismo desses pacientes. 

A tecnologia é importante para verificar precocemente o grau de disseminação da enfermidade e subsidiar informações para tratamentos adequados.

Leia também: Hipertensão em adolescentes com doença renal crônica: usar definição de adultos ou de crianças?

O protótipo deste teste rápido é semelhante aos de gravidez encontrados em farmácias, que possibilita o monitoramento da doença em pacientes já diagnosticados ou que, por terem casos na família ou comorbidades, podem desenvolver a condição.

A professora do Departamento de Patologia Básica, Andréa Stinghen, explicou em entrevista ao portal da instituição que é possível dosar, no sangue dos pacientes, produtos finais da glicação avançada um tipo de toxina urêmica ligada à proteína que precisa atenção especial, uma vez que pode ser responsável por eventos intracelulares, como estresse oxidativo e inflamação, levando a complicações cardiovasculares.

Na enfermidade, o nível da toxina é significativamente aumentado não apenas por causa da elevada produção dessa toxina, mas pela diminuição da eliminação pelo organismo.

“Considerando a importância das condições relacionadas ao aumento dos AGEs circulantes, a detecção, a quantificação e a compreensão dos efeitos citotóxicos desses componentes são importantes na tentativa de desenvolver novas estratégias terapêuticas, visando diagnosticar precocemente a doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, revelou Andréa Stinghen.

Capacitação tecnológica

Os pesquisadores envolvidos ressaltam a importância do projeto também pela questão da formação de profissionais qualificados no país, que faz parte da estratégia para tornar o Brasil cada vez mais independente em termos de produção tecnológica.

Problemas causados por essa dependência estão sendo observados ao longo da pandemia de Covid-19, que obrigou o país a importar tecnologias estrangeiras para itens essenciais ao combate da enfermidade, como testes e vacinas.

Estimativas da doença renal

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a prevalência mundial da doença é de 7,2% para indivíduos acima de 30 anos e de 28% a 46% acima de 64 anos.

No Brasil, a estimativa é de que mais de dez milhões de pessoas sofram com esse problema. Entretanto, existem indícios de subnotificação de diagnóstico, uma vez que a prevalência da doença renal crônica, de 50 a cada 100 mil habitantes, é inferior à de países como o Japão (205 por 100 mil). Isso pode significar que um número grande de brasileiros vem a óbito sem acesso a nenhum tratamento.

Saiba mais: Qual o anti-hipertensivo ideal para pacientes com doença renal crônica (DRC) avançada? 

De acordo com o censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), com dados de 2018, a estimativa era de que mais de 133 mil estavam em tratamento de diálise. A taxa de mortalidade anual desse grupo de pacientes foi calculada em cerca de 20% e havia quase 30 mil pessoas na fila de espera por um transplante de rim, o que representa 22% da lista.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Úrsula Neves

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