Testosterona em mulheres: repor ou não repor?

O uso da testosterona tem crescido muito nos últimos anos como uma forma de reposição hormonal para recuperar a libido feminina. Saiba mais!

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Atualizado por João Marcelo Coluna.

Nos últimos anos tem havido uma verdadeira transformação dentro da endocrinologia ginecológica. Muitas mulheres têm buscado pela reposição de testosterona para melhora da vida sexual. O novo “viagra feminino” estaria disponível em doses cuidadosamente calculadas, manipuladas e encapsuladas para trazer de volta a libido perdida com a chegada da menopausa e a entrada no climatério.  

Os andrógenos, incluindo a testosterona, são importantes na vida da mulher e decaem com a idade. Sua produção se dá pelos ovários e adrenais somada à conversão periférica. Seu pico se dá entre os 18 e 24 anos de idade. O declínio começa em torno de 30 anos de idade, até que aos 70-80 anos, as mulheres têm somente 10 a 20% do que tinham na idade adulta. A menopausa, que acontece em torno dos 50 anos, não tem grande influência no declínio dos níveis de testosterona ou quaisquer outros androgênicos femininos.  

Leia também: Implante hormonal: para quais condições é indicado?

A testosterona é o mais potente androgênio no corpo da mulher. Além disso, também tem sido o mais dosado nos últimos anos. Ainda há uma grande dúvida no que diz respeito a quais são as características da deficiência androgênica na mulher.

Deficiência androgênica na mulher: como caracterizar?

Os sintomas de deficiência androgênica, em diferentes estágios da vida, são inespecíficos. Alterações de desejo e excitação sexual, perda de libido, diminuição de pelos pubianos, indisposição geral, cansaço e mal-estar têm sido citados como relacionados a déficits variados de testosterona.

Será?

Perda de massa muscular e óssea também tem entrado nas consequências da famosa deficiência de testosterona sérica. No entanto, a maioria dessas manifestações pode facilmente ser explicada pela rotina de vida estressante, evolução da idade natural e excesso de atividades assumidas pelas mulheres.  

A dosagem bioquímica da testosterona ainda não tem padrões bem determinados, principalmente em valores mais baixos como no sexo feminino. Apesar dos laboratórios continuamente tentarem utilizar novas técnicas, os valores considerados normais em mulheres permanecem uma controvérsia.  

Nessa equação, há mais um fator a ser somado: a testosterona é tecido-específica e não se relaciona diretamente com níveis séricos. Assim, sociedades internacionais são contrárias à dosagem sérica de androgênios, principalmente como preditores de disfunções sexuais.  

Reforçando esse fato, estudos com mulheres oforectomizadas bilateralmente (o que reduz a produção androgênica) não demonstraram redução significativa de testosterona no pós-operatório, dificultando a caracterização de disfunção sexual. Quando haveria, então, indicação para reposição, se não em casos como esses? 

Estudos com reposição androgênica em mulheres na menopausa demonstraram pouca melhora nos escores relacionados à esfera sexual. No período reprodutivo, os resultados também são inconclusivos quando se realiza reposição androgênica. 

Não existe consenso entre as várias sociedades mundiais quanto ao assunto.

Mensagem final

Apesar do uso de androgênios estar crescendo rápida e vertiginosamente, as evidências não acompanham a mesma velocidade. A sugestão é que os médicos discutam com suas pacientes, não apenas as indicações, mas principalmente os riscos e efeitos colaterais. As pacientes devem ser alertadas, pois ainda não conhecem o efeito do uso prolongado.  

A FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), através da sua comissão nacional especializada em Endocrinologia Ginecológica, sugere que a paciente com indicação para reposição ou utilização de androgenicos seja monitorada. Principalmente em longos períodos e em terapias com dosagens frequentes, pode haver mais efeitos deletérios do que benefícios.  

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