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Tontura

Tontura periférica x tontura central: aprenda como diferenciá-las

Tempo de leitura: 2 minutos.

Segundo a Sociedade Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e pescoço, tontura é toda e qualquer sensação ilusória de movimento sem que haja o movimento real em relação à gravidade. Estima-se que 20% a 30% da população mundial apresentará algum tipo de tontura ao longo da vida, principalmente com o avançar da idade, sendo as mulheres mais acometidas do que os homens. Aproximadamente 7,4% das tonturas têm origem vestibular. Por esta razão é de grande importância saber diferenciar os quadros periféricos dos centrais.

Leia mais: Estou de plantão e recebo um paciente com tontura, e agora?

Uma anamnese objetiva e bem feita ajuda na definição de casos de origem labiríntica ou neurológica. Pontos importantes que devem ser ressaltados incluem: inicio dos sintomas, duração, fatores desencadeantes, sintomas associados, presença de doenças prévias.

O que avaliar no paciente com tontura?

O mnemônico HINTS irá ajudar a definir a conduta em relação ao paciente. Vamos à interpretação:

HI ( Head impulse test) ou teste do impulso cefálico:

  • Como é feito: solicita-se ao paciente que olhe no nariz do examinador. Faz-se um movimento rápido e horizontal da cabeça e observa-se a presença ou não de sacada compensatória, isto é, se o paciente conseguiu fixar seus olhos no examinador.
  • Interpretação: se HI positivo , sinal de lesão vestibular para o lado da sacada compensatória

Nistagmo: é definido como movimento ocular composto por uma fase lenta (vestibular) e uma fase rápida (formação reticular do tronco).

  • Como é feito: solicita-se ao paciente que olhe fixamente na posição neutra e observa-se se há nistagmo. Essa manobra pode ser sensibilizada solicitando ao paciente que olhe para os lados, para cima e para baixo (nistagmos semi-espontâneo);
  • Interpretação: a presença de nistagmo, na maioria das vezes sugere lesão periférica. Os nistagmos vestibulares são unidirecionais, aumentam na direção da componente rápida (Lei de Alexander).

Test of skew:

  • Como fazer: solicita-se ao paciente a manter os olhos abertos, na posição neutra e oclui-se os olhos alternadamente.
  • Interpretação: nos casos periféricos, os olhos se mantêm na mesma posição, já nos casos centrais, pode-se ver o movimento ocular involuntário. A presença deste teste positivo está fortemente associada à presença de AVC de tronco.

O HINTS bem realizado associado à história clínica do paciente apresenta uma sensibilidade maior do que a ressonância magnética nas primeiras 24-48h do início dos sintomas.

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Autor:

Marina

Medica Otorrinolaringologista pela AMB ⦁ Fellowship em Otoneurologia pelo HC-FMUSP ⦁ Hospital Municipal Souza Aguiar ⦁ Hospital São Lucas Hospital Copa D´Or ⦁ Hospital Pro- Cardíaco

Referências:

Um comentário

  1. Ademir Santos Rezende

    Muito bom o texto. Fácil e rápido.

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