Oftalmologia

Toxicidade retiniana por hidroxicloroquina: afinamento macular rápido como indicador precoce

Tempo de leitura: 2 min.

A hidroxicloroquina, antimalárico utilizado para diversas doenças autoimunes reumatológicas e dermatológicas, usado a cronicamente, pode estar associado a toxicidade retiniana. A prevalência varia entre 1.6% e 13.8% dependendo a população estudada (dose diária, duração do tratamento,  doença renal, etc.). O estudo realizado após a dose de 5mg/kg de HCQ ter sido adotada encontrou uma prevalência de 7.5% de toxicidade no uso crônico e depende da interpretação das alterações do OCT e campo visual 10.2. A detecção de alterações leves e precoces nesses exames pode necessitar de maior treinamento. Algum progresso foi feito com o esforço de se fazer o diagnóstico de forma mais objetiva usando mapas topográficos para identificar desvios da espessura macular em relação aos valores normais.

Estudo

Recentemente, Marmor et al. fizeram um estudo piloto que seguiram pacientes anos antes do aparecimento de alterações no OCT convencional e no campo 10.2 e mostraram uma alteração rápida da espessura macular com afinamento. Um artigo publicado esse ano na Ophtalmology demonstrou o uso desse afinamento no diagnóstico precoce da toxicidade retiniana. Foram revisados os OCTs de pacientes em uso de HCQ no sistema de saúde da Carolina do Norte.

Foram avaliados 4.491 pacientes em uso de HCQ por no mínimo cinco anos e pelo menos um exame de OCT. Uma subcoorte de 301 pacientes tinha quatro exames de OCT no período. A média de idade foi de 48.8 anos, 14.9 anos de uso em média e dose diária média de 3.7mg/kg/dia. Enquanto a maioria (219) tinham espessura retiniana estável, uma parte (82) demonstrou afinamento rápido e relativamente linear. Foi definido como rápido afinamento uma taxa de ≥2.0 microns/ano. Esse número é aproximadamente três desvios padrão da taxa de afinamento associada a idade. Os pacientes classificados como tendo uma espessura estável tiveram uma média de afinamento de 0.62 ± 0.45 microns por ano.

Leia também: Glaucoma primário de ângulo fechado: o que sabemos sobre prevalência e fatores de risco

Resultados

Os pacientes com afinamento rápido tiveram em média 3.75 ± 1.34 microns por ano. Os pacientes com mais afinamento tinham maiores taxas de doença renal crônica (43.9% vs 13.2%, p < 0.01), início da terapia com HCQ mais velhos (54.6 vs 46.6 anos, p< 0.01), duração mais longa de tratamento com HCQ (15.6 vs 14.7 anos, p < 0.01) e doses maiores diárias da droga (4.2 vs 3.4 mg/kg, p < 0.01). Os sinais convencionais de toxicidade são geralmente aparentes só após 20 a 30 micras de afinamento retiniano. O reconhecimento precoce das alterações estruturais não significa que o paciente deve descontinuar a droga mas dá ao paciente e ao médico um oportunidade de ajustar a dose, considerar alternativas e analisar os riscos para a visão.

Compartilhar
Publicado por
Juliana Rosa

Posts recentes

Barreiras de acesso à saúde de pessoas trans e não binárias no SUS [podcast]

Como profissionais de saúde podem abordar a redesignação de gênero com pessoas transexuais e orientação…

5 horas atrás

WONCA 2022: Como jovens médicos modificarão o futuro da medicina de família?

A última sessão plenária do WONCA 2022 encerrou o evento com esperanças em relação às…

23 horas atrás

Monkeypox: orientações aos profissionais de saúde

Monkeypox é um vírus cuja transmissão se dá por contato com secreções respiratórias e lesões…

1 dia atrás

Monkeypox e Epididimite são os destaques da semana no Whitebook

Monkeypox e Epididimite são os novos conteúdos do Whitebook. Confira a lista completa com os…

2 dias atrás

Síndrome pós-COVID-19: quais os desafios nos cuidados nutricionais?

Neste artigo, veja em detalhes o que os estudos recentes têm apontado acerca dos cuidados…

2 dias atrás

As taxas de infecção aumentam com o uso de técnicas de esterilização de uso imediato?

Neste estudo, confira se a esterilização a vapor de uso imediato aumenta as chances de…

2 dias atrás