Clínica Médica

Trajetória na medicina e o cenário atual

Tempo de leitura: 2 min.

Acredito que ou novos acadêmicos, residentes ou colegas no cenário atual mercado de medicina já devem ter ouvido algum staff, preceptor ou até algum mesmo parente comentando sobre o médico de antigamente, aquela profissão cheia de status e autoridade em que o médico que atendia a família trabalhava muito, ganhava muito dinheiro, comprava bens, fazendas, trocava de carro, eram os verdadeiros DOUTORES (mesmo sem doutorado).

Leia também: Uso da telemedicina em neurologia pediátrica

O passado não volta

Antes da evolução das sociedades médicas, da judicialização da medicina, e da grandíssima papelada a ser preenchida, o médico (em especial o cirurgião) saia da residência feito um exército de um homem só, capacitado a resolver as mais diversas e adversas situações, doenças e complicações, ora por ser o único profissional no local, ora por ser realmente treinado em diversas áreas de atuação. Diferente do que vivemos hoje, (principalmente em grandes centros), o médico se torna cada vez mais especializados em conduzir com maestria uma pequena e muitas vezes complexa lista de patologias, habituado a encaminhar ao colega especialista tudo aquilo que foge do seu domínio.

Em relação nova leva de médicos recém-formados, a situação também já se modificou! O número de novos doutores, saídos do forno é maior a cada ano, sem que o número de vagas de especialização, seja ela residência médica ou pós-graduação acompanhe na mesma proporção.

Antigamente o médico vivia para o trabalho, e juntava muito…

A minha geração trabalha pra viver, e viver bem, portanto gasta muito…

A digitalização da medicina

A nova geração, já está se adequando cada vez mais depressa ao modelo de Medicina Digital, em que as ferramentas de marketing impulsionam a comercialização de conteúdo, ensino e assessoria na área da saúde, mesmo antes de se tornar um especialista, e tem nesse mercado a chance de geração de renda em maiores proporções, que fogem do trabalho orgânico do dia a dia.

“A Transformação Digital é um evento sem volta: uma revolução que veio para mudar completamente a maneira como encaramos o mundo e interagimos com ele.” explica o redator Daniel Moraes, da Rock Content, empresa especializada em produção de conteúdos, sendo que a medicina tradicional também já foi englobada por estratégia de negócios, visto a quantidade de médicos que cada vez mais expõe seus trabalhos e habilidades nas redes sociais.

A Telemedicina no Brasil já é realidade desde que, em 2019, o CFM Conselho Federal de Medicina autorizou a realização da teleconsulta médica, cuja aplicação vai do diagnóstico ao tratamento, monitoramento e manejo tanto de condições agudas quanto crônicas. 

Saiba mais: Você sabe quais são os 4 Princípios da Medicina de Família e Comunidade?

Prática comum em outros países, permite superar barreiras de distância, de maneira flexível e conveniente para os pacientes, oferecendo cuidados em saúde em menor tempo, com redução de custos e da carga de trabalho, como explica a publicação deste ano na Revista Brasileira de Educação Médica, intitulada: Teleconsulta: uma Revisão Integrativa da Interação Médico-Paciente Mediada pela Tecnologia. 

O trabalho abrange uma revisão integrativa da literatura para identificar essas experiências em quatro bases de dados, de janeiro de 2013 a fevereiro de 2019, a maioria publicada no Reino Unido, e conclui que não é possível transpor as experiências desse cenário para a nossa realidade, principalmente devido os desafios políticos e corporativos do território nacional.

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Fernanda Mello Tavares
Tags: telemedicina

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