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Transferência de anticorpo específico para SARS-CoV-2 via placentária

Tempo de leitura: 2 min.

Até o momento, sabemos que a infecção por SARS-CoV-2 pode causar doença mais grave em mulheres grávidas em comparação com mulheres não grávidas da mesma idade. Porém, ainda não está claro se a infecção materna confere imunidade ao bebê. 

Transferência de anticorpos IgG para o bebê:

Os recém-nascidos contam com a transferência de IgG materna através da placenta para proteção contra diversas doenças, sendo que para a maioria delas, os títulos de IgG do cordão umbilical são maiores do que no sangue materno.

Esses anticorpos são transferidos pelo receptor Fc neonatal (FcRn), que é encontrado em altas concentrações no sinciciotrofoblasto da placenta. A transferência de IgG placentária começa durante o primeiro trimestre, mas aumenta exponencialmente durante a gravidez, sendo seu auge durante o terceiro trimestre.

Estudos recentes apontam para a transferência seletiva de IgG através da interface materno-fetal com base na glicosilação dos anticorpos e também subclasse dos mesmos, sendo IgG1, transferidos preferencialmente, seguidos por IgG3, IgG2.

Além disso, há evidências que demonstraram alterações induzidas por infecção dos perfis de Fc-glicano em indivíduos infectados com SARS-CoV-2, e levantam a hipótese de que a infecção por SARS-CoV-2 durante a gravidez influencie na qualidade de imunidade transferida para este patógeno. Porém, o mecanismo subjacente a esse comprometimento ainda não havia sido bem estabelecido.

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Novas evidências

No dia 23 de dezembro de 2020, foi liberado um estudo pré-aprovado no Cell Press Journal, que investigou minuciosamente os mecanismos de mudanças na glicosilação de anticorpos IgG para SARS-CoV-2 via placentária no terceiro trimestre. 

O estudo traçou o perfil da imunidade humoral contra influenza, coqueluche e SARS-CoV-2 em 22 amostras de cordão de mães com teste positivo para infecção por SARSCoV-2 (Covid +) no terceiro trimestre, e 34 amostras de cordão materno registradas contemporaneamente que eram SARS-CoV-2 negativo (Covid-). 

Os anticorpos específicos para influenza e coqueluche foram transferidos ativamente, já a transferência de anticorpos específicos para SARS-CoV-2 foi significativamente reduzida em comparação com os anticorpos específicos para influenza e coqueluche, e os títulos do cordão umbilical e a atividade funcional foram menores do que no plasma materno. 

Foi confirmado que a transferência de anticorpos específicos para SARS-CoV-2 está significativamente comprometida no terceiro trimestre de gravidez, relacionado à glicosilação Fc prejudicada. Mas surpreendentemente, esta deficiência não foi observada quando a infecção ocorre no segundo trimestre da gravidez, apontando que essa alteração na transferência de anticorpos varia por trimestre.

Essa análise pode apontar para janelas críticas na gravidez onde pode ser mais propícia a vacinação, como por exemplo, no primeiro trimestre.O estudo traz informações novas e detalhadas que auxiliam nas novas propostas de vacinação, no intuito de imunizar de forma mais eficaz o binômio mãe e bebê. 

 

Autor(a):

Referência bibliográfica:

  • Atyeo, C., Pullen, K.M., Bordt, E.A., Fischinger, S., Burke, J., Michell, A., Slein, M.D., Loos, C., Shook, L.L., Boatin, A.A., Yockey, L.J., Pepin, D., Meinsohn, M.-C., Phuong Nguyen, N.M., Chauvin, M., Roberts, D., Goldfarb, I.T., Matute, J.D., James, K.E., Yonker, L.M., Bebell, L.M., Kaimal, A.J., Gray, K.J., Lauffenburger, D., Edlow, A.G., Alter, G., Compromised SARS-CoV-2- specific placental antibody transfer, Cell (2021), doi: https://doi.org/10.1016/j.cell.2020.12.027.

 

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Publicado por
Juliana Olivieri

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