Transição para a menopausa e risco cardiovascular: implicações para a prevenção precoce

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As doenças cardiovasculares lideram as causas de óbitos entre mulheres. Esses índices aumentam muito no climatério desenvolvendo doença aterosclerótica típica muito mais tarde que os homens. Nos Estados Unidos, com o aumento da sobrevida feminina, essa passou a ser uma preocupação de saúde pública, tendo em vista que as mulheres passarão quase um terço de suas vidas nessa época. O consenso de 2011  não contemplou a transição da menopausa como fator de risco para doença cardiovascular nas mulheres, por isso esse novo apontamento publicado na Circulation de novembro de 2020 trouxe algumas considerações importantes sobre o assunto.

Leia também: Menopausa: qual a abordagem, passo a passo, para seu gerenciamento?

A transição menopausal é um período ainda sintomático, com mudanças hormonais, menstruais e outras fisiológicas que levam ao aumento do risco cardiovascular. De acordo com os estudos realizados pelo grupo, trazemos algumas sínteses para observação do maior risco cardiovascular nesse grupo de mulheres americanas que deve ser extrapolado para as brasileiras também

Síntese de diretrizes da American Heart Association

  1. Média de idade menopausa natural é de 50 anos. Denominada prematura se antes dos 40 anos e menopausa cedo se estiver no intervalo entre 40 – 45 anos. 
  2. Nos EUA quase 40% das mulheres estão nessa fase pelo aumento da expectativa de vida. 
  3. Idade mais precoce da menopausa foi ligada a gravidade da doença cardiovascular observada entre negras e hispânicas, ciclos mais curtos, baixa paridade, tabagistas e com péssimos hábitos cardiovasculares durante seu período reprodutivo. 
  4. Menopausa iatrogênica (cirúrgica ou por radiação) associou-se a aumento de risco cardiovascular. Histerectomias exclusivas não tiveram influência no status cardiovascular sem abordagens ovarianas.
  5. Presença de sintomas vasomotores associou-se a piora do risco cardiovascular e indicação para tratamento de doença aterosclerótica subclínica. 
  6. Também os distúrbios do sono, comuns nessas mulheres, foram indicações para tratamento de doença cardiovascular mesmo subclínica. 
  7. Depressão apareceu associada a distúrbios do sono sendo fator para indicar tratamento cardiovascular também.
  8. A perimenopausa se dá com os ciclos irregulares e outros sintomas semelhantes. Esse período vai até 12 meses após menopausa sendo acompanhado por aumento de risco aterosclerótico. 
  9. Existe aumento de adiposidade central, associado a risco de mortalidade, mesmo com IMC normal. 
  10. Gordura para cardíaca está associada a maiores riscos cardiovasculares, independente da idade, influenciada pelos níveis de estradiol ou mesmo pela TRH.
  11. Apesar de alguns dados limitados, somente 7,2% praticam atividade física na intensidade e duração recomendados. E menos de 20% somente que tem uma dieta adequada nessa fase. 
  12. A literatura parece concisa na indicação para terapêutica hormonal iniciada até os 60 anos de idade ou antes de 10 anos de menopausa para obter redução do risco cardiovascular. 

Mensagem final

O guideline termina sugerindo que os próximos estudos de risco cardiovascular incluam também sempre mulheres em idade de transição reprodutiva para menopausa, façam dosagens de reserva ovariana como Hormônio Anti-Mulleriano de modo a contemplar em suas populações esse grupo especial de mulheres na transição menopausal. Assim fazendo, estaremos oferecendo diminuição dos riscos cardiovasculares e melhora na qualidade de vida para que essa mulher passe esse terço de vida mais saudável. 

Saiba mais: Tratamento sem hormônios para aliviar sintomas da menopausa é eficaz, aponta estudo

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • El Khoudary SR, et al, On behalf of the American Heart Association Prevention Science Committee of the Council on Epidemiology and Prevention; and Council on Cardiovascular and Stroke Nursing. Menopause Transition and Cardiovascular Disease Risk: Implications for Timing of Early Prevention: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2020 Nov 30; published ahead of print. doi: 10.1161/CIR.0000000000000912
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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