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Transmissão de coccidioidomicose por transplante de órgãos: o que o médico precisa saber

Tempo de leitura: 2 minutos.

A coccidioidomicose é uma micose sistêmica causada pelos fungos dimórficos Coccidioides immitis e Coccidioides posadasii. A infecção é adquirida pela inalação de artroconídios infectantes presentes no solo.  Usualmente apresenta-se como infecção benigna de resolução espontânea em 60% dos casos.

Quando reconhecida no doador e não tratada nos receptores, a coccidioidomicose derivada do doador tem sido uma causa significativa de morbidade e mortalidade após o transplante de órgãos e os resultados fatais têm sido reportados.

A melhor opção de tratamento e a eficácia da terapia antifúngica preventiva para os receptores expostos não estão bem definidas.

Nesse contexto, um estudo revisou todos os casos de transmissão de coccidioidomicose relatados ao Disease Transmission Advisory Committee (DTAC) e examinou possíveis estratégias para prevenir a coccidioidomicose derivada de doadores.

Foram avaliados seis relatos comprovados ou prováveis de coccidioidomicose. Em quatro dos seis, a infecção foi detectada pela primeira vez através da autópsia no receptor. Em dois casos, foi identificada pela primeira vez no doador. Vinte e um receptores receberam órgãos destes seis doadores. A transmissão ocorreu em 43% em uma mediana de 30 dias pós-transplante com uma taxa de mortalidade de 28,5%.

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Em relação a terapia com antifúngicos, 11 receptores receberam antifúngicos preventivos, 7 não receberam tratamento e 3 não apresentaram informações sobre o tratamento. Cinco dos sete que não receberam tratamento morreram e todos os 11 que receberam terapia precoce sobreviveram. Seis mortes ocorreram 14 a 55 dias após o transplante, com uma mediana de 21 dias.

Para os receptores expostos, a coccidioidomicose derivada do doador é uma causa significativa de morbidade e mortalidade. A evidência de infecção em um receptor deve levar a uma avaliação imediata para o tratamento de todos os outros receptores do mesmo doador, uma vez que o tratamento preventivo foi eficaz.

Outros estudos são necessários para avaliar a necessidade de realização de rastreio sorológico de rotina entre todos os doadores de áreas endêmicas.

Veja também: ‘Como funciona o transplante de medula óssea? Veja os conceitos básicos’

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Referências:

  • Kusne S, Taranto S, Covington S, Kaul DR, Blumberg EA, Wolfe C, et al. Coccidioidomycosis Transmission Through Organ Transplantation: A Report of the OPTN Ad Hoc Disease Transmission Advisory Committee. Am J Transplant [Internet]. 2016;16(12):3562–7. Available from: https://doi.wiley.com/10.1111/ajt.13950
  • Filho A de D. Chapter 2 – Coccidioidomycosis. J Bras Pneumol. 2009;35(9):920–30.

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