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Transplante de cartilagem, onde estamos?

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A cartilagem é o tecido responsável pelo deslize suave das articulações. Localiza-se nas extremidades dos ossos e tem sua superfície extremamente lisa, com baixo coeficiente de atrito, permitindo que movimentos como a flexão ou rotação dos membros ocorra de maneira uniforme. Possui uma alta capacidade de absorção de impacto devido ao padrão de suas fibras de colágeno, no entanto, tem um pobre potencial de cicatrização, pela baixa celularidade.

 

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Ainda hoje as lesões da cartilagem representam um grande desafio para os ortopedistas e as técnicas de transplante funcionam como um recurso promissor em muitos casos:

– Autotransplante (mosaicoplastia): Nesse método, retiramos do próprio paciente um plug contendo cartilagem sadia e o osso que esta logo abaixo. O sítio doador, assim chamado, se localiza em alguma região de baixa solicitação. Esse plug é então implantado na área lesionada. Essa técnica tem a desvantagem de só beneficiar lesões de 1 a 4 cm² e como dito, necessitar retirar do próprio paciente o material doador. O paciente permanece em torno de 6 a 12 semanas de muletas e fisioterapias.

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– Transplante de cartilagem de cadáver (transplante osteocondral à fresco): Devido ao baixo potencial de rejeição do conjunto osso-cartilagem, esse é um método que vem ganhando muita força nos Estados Unidos e Europa. Infelizmente, por aqui dispomos somente de 3 centros para preparação e armazenamento de ossos, tendões e cartilagem de cadáver, que funciona como uma doação de órgão como outro qualquer. O procedimento é muito semelhante à mosaicoplastia citada acima, porém permite a substituição de lesões maiores, não sendo necessária compatibilidade de sistema sanguíneo entre doador e receptor. Após a data do óbito do doador a equipe tem 30 dias para que o enxerto se mantenha viável, exigindo uma logística complexa e treinada para isso.

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– Transplante autólogo de condrócitos: Os condrócitos, células da cartilagem, são coletados em um primeiro procedimento, em geral feito por videoartroscopia. Uma amostra de cartilagem do paciente é então cultivada em laboratório para que haja multiplicação e crescimento dessas células. Após sua maturação, é realizada uma segunda cirurgia para infiltração desse conteúdo no local da lesão. O sitio da lesão é então coberto por uma membrana biológica para que não extravase seu conteúdo e se aguarda a cicatrização em torno de 8 a 12 semanas.

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– Células-tronco: Existem muitas pesquisas acontecendo no Brasil e no exterior com células-tronco. Os resultados são muito animadores, porém ainda não podem ser testados em humanos no Brasil por não se conhecer bem os riscos de mutagênese e formação de células neoplásicas. As pesquisas estão bastante avançadas e os riscos tem se mostrado baixos. Em países como a Coréia do Sul, onde esses estudos já são permitidos em humanos, os resultados têm sido promissores e acredito que na próxima década teremos por aqui muitos avanços nesse sentido.

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