Cirurgia

Transplante inédito de traqueia pode ajudar intubados por Covid-19

Tempo de leitura: 3 min.

Um transplante inédito de traqueia foi anunciado pelo Hospital Mount Sinai, em Nova York, no início deste mês. Esse foi o primeiro transplante humano completo de traqueia bem-sucedido do mundo, segundo o comunicado do hospital. “É a primeira vez que a traqueia de um doador é transplantada diretamente ao receptor”, diz o documento.

O hospital descreveu a substituição da traqueia como um novo tratamento viável para milhares de pessoas que podem nascer com defeitos congênitos da traqueia ou que podem ter uma via aérea danificada por queimaduras, tumores ou intubação, como pacientes com Covid-19 que foram colocados em um ventilador.

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Eric Genden, cirurgião-chefe do projeto, descreveu o protocolo do procedimento como “confiável, reprodutível e tecnicamente simples”. Tanto que a unidade de transplante do Hospital Monte Sinai lançou o primeiro programa mundial de reconstrução das vias aéreas, com planos de oferecer a cirurgia a pacientes internacionalmente para ajudá-los a respirar e falar normalmente.

“É muito oportuno diante do crescente número de pacientes com problemas extensivos na traqueia devido à intubação por Covid-19 essa nova opção de transplante. Tanto por causa da ventilação mecânica quanto pela natureza da doença nas vias aéreas provocada pela Covid-19, o número de casos de danos na traqueia vem aumentando”, observou o médico.

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A receptora

A paciente, Sônia Sein, uma assistente social de 56 anos, sofreu danos graves na traqueia depois de ficar intubada por diversas semanas por um ataque de asma há seis anos.

Depois que a intubação danificou a sua traqueia, ela passou por uma série de cirurgias para tentar reparar os danos. Mas essas intervenções agravaram ainda mais o problema.

Segundo os médicos, Sônia respirava por traqueostomia e corria alto risco de sufocamento e morte por causa da progressão da doença em suas vias aéreas e do risco de colapso da traqueia.

Os médicos então conectaram os pequenos vasos sanguíneos que alimentam a traqueia do doador aos vasos sanguíneos da receptora.

Saiba mais: Dia Nacional de Doação de Órgãos: entenda sobre a doação e o transplante

Segundo o hospital, os médicos usaram parte do esôfago e da tireoide para ajudar a fornecer sangue à traqueia, o que levou a uma revascularização bem-sucedida.

Com o sucesso da cirurgia, que durou 18 horas, a equipe de 50 especialistas, incluindo cirurgiões, enfermeiros, anestesistas e médicos residentes, conseguiu retirar a traqueostomia, fazendo com que a paciente pudesse respirar pela boca novamente depois de seis anos.

Ela não sofreu complicações e continuará sendo monitorada pelos médicos, que avaliam como está respondendo aos medicamentos para evitar a rejeição.

Desafio médico

O transplante de traqueia é considerado um dos mais desafiadores, pela extrema dificuldade técnica de garantir o fluxo sanguíneo ao órgão.

“Durante anos, o consenso médico e científico era de que o transplante de traqueia não podia ser realizado, porque a complexidade do órgão tornava a revascularização impossível. Todas as tentativas anteriores de realizar transplante em humanos falharam”, afirma Eric Genden.

O cirurgião disse no comunicado que acredita que o protocolo de transplante e revascularização utilizado por sua equipe pode ser reproduzido por outros médicos e representar uma opção para pacientes que tiveram a traqueia inteira danificada e até então não tinham tratamento de longo prazo.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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