Ortopedia

Tratamento cirúrgico ou conservador para fraturas laterais da clavícula?

Tempo de leitura: 2 min.

As fraturas laterais da clavícula constituem 17 a 30% de todas as relacionadas a esse osso. As fraturas de características mais instáveis (tipos II e V de Neer) estão mais comumente relacionadas à pseudoartrose, entretanto, isso geralmente não é o suficiente para afetar o resultado funcional, principalmente em pacientes idosos.

Estudos comparando resultado funcional em fraturas laterais da clavícula tratadas cirurgicamente versus conservadoramente são escassos na literatura. Um estudo de coorte foi publicado esse mês no Journal of Orthopaedic Trauma buscou comparar esses resultados.

Leia também: Fixação de 1 ou 2 ossos do antebraço nas fraturas pediátricas diafisárias de rádio e ulna?

O estudo

Todas as fraturas de clavícula (n=593) de pacientes acima de 15 anos atendidas em um hospital universitário sueco entre 2013 e 2015 foram avaliadas e classificadas de acordo com sua localização no osso. Dessas, 122 fraturas laterais foram selecionadas para o estudo. Todos os prontuários e radiografias desses pacientes foram avaliados pelo menos 2,5 anos após a lesão, procurando-se por classificação da fratura, complicações de ferida operatória, infecção e pseudoartrose.

Dos 122 pacientes, apenas 76 puderam ser acompanhados com maior follow-up e submetidos às avaliações funcionais com o questionário DASH (Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand) e escala visual analógica para estimar satisfação com resultado cosmético.

Os pacientes inicialmente tratados com cirurgia tiveram uma média de idade menor que os tratados conservadoramente (41 vs 59 anos, p = 0,0003 para a coorte total e 41 vs 62 anos, p = 0,0005 para os classificados como Neer tipo II ou V). Dos 23 pacientes que foram tratados cirurgicamente inicialmente, 10 (todos Neer II ou V) necessitaram uma segunda intervenção, fosse ela planejada inicialmente nos casos de placa-gancho ou por desconforto local, com uma mediana de 270 dias e contabilizando 43% de taxa de remoção de implante. Apenas 2 pacientes (também eram Neer II e V) tratados conservadoramente inicialmente necessitaram intervenção cirúrgica por pseudoartrose sintomática. Outras complicações foram raras.

Saiba mais: O tratamento de fraturas proximais do úmero com artroplastia reversa tem resultados equivalentes no cenário agudo ou tardio?

Não foram encontradas diferenças significativas no DASH entre pacientes com fraturas laterais da clavícula tipo II ou V de Neer tratados inicialmente com cirurgia ou conservador. Metade dos pacientes operados apresentaram perda de sensibilidade na região infraclavicular, além de os pacientes operados se apresentarem menos satisfeitos com o resultado cosmético.

Conclusão

Quase metade dos pacientes tratados cirurgicamente tiveram que ser reabordados para remoção de implante. Além disso, a taxa de pseudoartrose foi semelhante entre os grupos. Dessa maneira, talvez o tratamento conservador possa ser escolhido mais vezes mesmo nas fraturas laterais da clavícula.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Kihlström C, Hailer NP, Wolf O. Surgical Versus Nonsurgical Treatment of Lateral Clavicle Fractures: A Short-Term Follow-Up of Treatment and Complications in 122 Patients. J Orthop Trauma. 2021 Dec 1;35(12):667-672. doi: 10.1097/BOT.0000000000002112.
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Publicado por
Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

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