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Tratamento por ondas de choque para Fascite Plantar

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A fascite plantar é a causa mais comum de dor na região plantar do calcanhar. É uma síndrome dolorosa definida como uma sobrecarga de tensão da fáscia plantar em sua origem no tubérculo medial do calcâneo. Geralmente, os sintomas começam como uma dor intermitente que, na maioria das vezes, progride para uma dor aguda e persistente. 

Os sintomas incluem dor com os primeiros passos da manhã ou após o períodos de repouso prolongado. A dor é agravada pela sobrecarga contínua, e se torna progressivamente mais intensa. Seu início é insidioso e nem sempre associado a um incidente ou trauma específico. 

Cargas excessivas não formam uma ruptura no ponto médio da fáscia plantar, mas criam uma resposta inflamatória local na inserção do calcâneo. Além disso, degeneração, microfissuras e fibrose também podem ocorrer.

Tratamento convencional

O tratamento padrão consiste em um tratamento conservador, mas cerca de 10% dos pacientes falham em responder ou se curar espontaneamente. 

Os objetivos do tratamento são aliviar a dor e restaurar a função. Opções iniciais incluem anti-inflamatórios não esteroidais, órteses, fisioterapia e exercícios. 

Os resultados de tais tratamentos variam consideravelmente, e não há consenso de opinião sobre o melhor método.

Saiba mais: Manejo da fascite plantar e como a acupuntura pode ajudar

Tratamento por ondas de choque

Nos últimos 20 anos, as ondas de choque extracorpóreas têm sido usadas para tratar de forma segura e eficaz uma série de patologias. A terapia por ondas de choque é usada na ortopedia, medicina esportiva e fisiatria para várias patologias, como tendinopatias insercionais, tendinite calcificante do ombro, epicondilite lateral, bursite trocanteriana e fascite plantar.

O mecanismo exato pelo qual as ondas de choque funcionam para tratar doenças musculoesqueléticas não é conhecido. Acredita-se que o tratamento cause danos teciduais locais e controlados, que levam à neovascularização e aumento das quantidades de fatores locais de crescimento tecidual local.

Em uma revisão da literatura atual publicada sobre o uso da terapia por ondas de choque para o tratamento da fascite plantar, vários ensaios clínicos foram encontrados, com uma taxa de sucesso variando de 34% a 88%. Porém, muitos estudos não foram adequadamente controlados com um tratamento sham.

Vários estudos compararam o efeito das ondas de choque com cirurgia, injeção de corticosteroide local ou fisioterapia no tratamento da fascite plantar proximal. O tratamento cirúrgico por fasciotomia plantar e ondas de choque mostraram resultados funcionais comparáveis. No entanto, as ondas de choque apresentaram menos efeitos adversos, como dor pós-cirúrgica e menor tempo de recuperação.

Os protocolos de tratamento variam nos estudos, de uma única aplicação a mais de 5 sessões. Diferentes tipos de equipamento contém diferentes tecnologias de emissão das ondas,  como ondas focais (mais profundas e intensas) e ondas radiais (mais superficiais), não havendo ainda consenso na literatura quanto ao protocolo mais indicado.

As complicações da terapia na fascite plantar proximal são baixas e pouco significativas. Vermelhidão local, equimose ou hematoma leve são as queixas mais frequentes, em até 20% dos pacientes. 

A terapia por ondas de choque é uma técnica segura e não invasiva, com resultados promissores para casos refratários de fascite plantar. No entanto, estudos adicionais são necessários.

Autor: 

Referências:

  • Gollwitzer H, Saxena A, DiDomenico LA, et al. Clinically relevant effectiveness of focused extracorporeal shock wave therapy in the treatment of chronic plantar fasciitis: a randomized, controlled multicenter study. JBJS. 2015 May 6;97(9):701-8.
  • Sun J, Gao F, Wang Y, Sun W, Jiang B, Li Z. Extracorporeal shock wave therapy is effective in treating chronic plantar fasciitis: A meta-analysis of RCTs. Medicine. 2017 Apr;96(15).
  • Kertzman P, Lenza M, Pedrinelli A, Ejnisman B. Tratamento por ondas de choque nas doencas musculoesqueléticas e consolidacão óssea–Análise qualitativa da literatura. Revista Brasileira de Ortopedia. 2015 Jan 1;50(1):3-8.

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