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Traumatismo crânio-encefálico

Traumatismo cranioencefálico: quando solicitar tomografia?

Tempo de leitura: 3 minutos.

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é patologia frequente no pronto-atendimento em todo o Brasil. O prognóstico depende, entre outros fatores, do mecanismo de trauma (que varia conforme a região mortalidades em pessoas com idade entre cinco e 35 anos são em consequência do TCE, responsável por cerca de 1% de todas as mortes em adultos.

Os pacientes vítimas de TCE podem apresentar, entre outros, hematoma epidural (coleção hemorrágica entre o osso e a dura-máter), hematoma subdural (coleção hemorrágica entre a dura-máter e o parênquima encefálico), contusão cerebral (hematoma dentro do tecido cerebral), fraturas de crânio, inchaço cerebral (o tecido cerebral fica edemaciado levando ao aumento da pressão intracraniana mesmo na ausência de coleção hemorrágica).

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O tratamento é individualizado a partir do diagnóstico e estratificação de risco. A estratificação depende de fatores de risco e da avaliação clínica do paciente. Podemos estratificar o grau de risco associado ao TCE a partir do seguinte esquema:

Os pacientes com TCE Moderado e Grave devem ser submetidos a exame de tomografia de crânio (TCC) e, em alguns casos, internados. Os pacientes com TCE leve são subclassificados em Baixo, Médio e Alto Risco de lesões intracranianas:

Classificação do TCE leve (ECG de 13 a 15)

Risco aumentado

  1. Idade acima de 65 anos ;
  2. Intoxicação aguda por álcool ou drogas ilícitas. Síndrome de abstinência alcoólica;
  3. Uso de anticoagulantes;
  4. Criança espancada, gestante, discrasia sanguínea (ex: paciente hemofílico);
  5. Fístula liquórica (rino ou otoliquorreia);
  6. TCE + trauma de outros sistemas (Politraumatismo);
  7. Petéquias sugestivas de síndrome de embolia gordurosa;
  8. Piora do nível de consciência para ECG < 15 ou surgimento de déficits neurológicos focais;
  9. Meningismo;
  10. Déficit de acuidade visual;
  11. TCE por ferimento de arma branca;
  12. ECG < 15;
  13. Crises subentrantes (estado epiléptico).

Risco moderado

  1. Envolvimento em acidente grave ou com vítimas fatais. Queixas neurológicas. História não confiável (suspeita de crianças/idosos espancados);
  2. Equimose palpebral, retroauricular ou ferida em grande extensão no couro cabeludo;
  3. Cefaleia progressiva, vômitos ou convulsão.
  4. Perda momentânea da consciência;
  5. Desorientação têmporo-espacial, amnésia retrógrada ou pós-traumática (amnésia lacunar);
  6. Síncope pós-traumatismo (síndrome vasovagal);
  7. Idade < 2 anos (exceto se traumatismo muito trivial);
  8. RX do crânio evidenciando fratura.

Risco baixo

  1. TCE por mecanismo de trauma de pequena intensidade, assintomático, exame físico geral normal e sem alterações neurológicas. RX de crânio, se realizado, normal;
  2. Sinais ou sintomas mínimos;
  3. Cefaleia leve, não progressiva;
  4. Tontura, vertigem temporária;
  5. Hematoma subgaleal (HSG) ou laceração do couro cabeludo (LCC) pequena, com RX de crânio normal.

A maioria dos pacientes com lesão cerebral leve evolui sem intercorrências. Aproximadamente 3% têm deterioração não esperada, resultando potencialmente em grave risco de sequela, a menos que o declínio no estado mental seja detectado precocemente.

Os pacientes com TCE Leve de baixo risco devem ser orientados sem necessidade de exame de tomografia de crânio. Os com TCE Leve de Moderado e de Alto Risco devem ser submetidos à tomografia de crânio, sendo o tratamento individualizado a partir do diagnóstico de imagem.

Caso o paciente apresente qualquer um desses fatores, conforme o ATLS 10, há indicação de exame de tomografia de crânio:

  • Alto Risco de Intervenção Neurocirúrgica
  • GCS menor de 15 após 2 horas do trauma
  • Fratura afundamento ou aberta de Crânio
  • Qualquer sinal de fratura de base de crânio (ex. hemotímpano, olhos de guaxinim, fístula liquórica nasal ou pelo ouvido, Sinal de Battle)
  • Vômitos (mais de dois episódios)
  • Idade maior de 65 anos

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Autor:

Egmond Alves Silva Santos

Título de Especialista em Neurocirurgia, Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, 2010 ⦁ Cirurgia Minimamente Invasiva no Crânio, Tuttlingen/Alemanha, 2010 ⦁ Mestrado em Ciências da Saúde, IAMSP, 2011 ⦁ Cirurgia Endoscópica de Base de Crânio, Pittsburgh/EUA, 2012 .

Referências:

Um comentário

  1. Fellipe Mann

    A idade é maior ou IGUAL a 65 anos e o numero de episódio de vômitos também (maior ou IGUAL a dois episódios)!
    Att.

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