Tripla infecção: é possível ter covid-19, gripe e dengue ao mesmo tempo?

Com aumento do número de casos e condições propícias para o desenvolvimento de outras doenças, é possível ocorrer casos de tripla infecção?

Gripe, altas temperaturas e chuvas, dengue. E também não podemos esquecer que a covid-19 ainda está entre nós. Diante deste cenário climático e epidemiológico, podemos afirmar que é possível ocorrer casos de tripla infecção?

“Sim, é possível, embora pouco esperado. A coinfecção poderá agravar alguns sintomas ou é possível que se somem”, disse a infectologista Tânia Vergara, membro consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), em entrevista ao Portal PEBMED este ano.

É importante destacar que realmente ainda não houve notificação de nenhum caso de tripla infecção no Brasil ou no mundo, mas mesmo assim nada impede que haja uma contaminação simultânea pelos três vírus.

Especialistas alertam que os riscos para a saúde aumentam caso o paciente contraia as três infecções ao mesmo tempo. Há uma confluência de riscos, ou seja, um risco aumentado do agravamento do quadro geral.

Os sintomas da covid-19 e da influenza são parecidos, já os da dengue podem ser bem mais característicos. A febre, por exemplo, pode estar presente nas três doenças, mas manchas pelo corpo é um sintoma mais comum em pacientes infectados pela dengue.

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tripla infecção

Mais sintomas?

A infectologista Tânia Vergara apontou que, como ainda há poucas informações sobre a tripla infecção, não é possível afirmar se um indivíduo com esse diagnóstico pode acumular mais sintomas do que os demais que estão apenas com uma das enfermidades.

Por isso, inicialmente, os riscos e sintomas são os mesmos para cada doença. E o paciente pode sentir diversos deles, assim como ser assintomático.

Confira os respectivos testes diagnósticos:

Para covid-19: Teste rápido de antígeno e o RT-PCR, ambos realizados em material colhido por swab nasal. Os testes devem ser colhidos do primeiro ao sétimo dia de sintomas. Nenhum dos testes, se negativos, exclui a possibilidade de doença. Se um ou outro teste é positivo não é necessária confirmação. O diagnóstico já pode ser realizado;

Para influenza: Teste rápido de antígeno, RT-PCR. É muito importante que o exame seja colhido logo no início dos sintomas, uma vez que o medicamento utilizado para o tratamento, o oseltamivir, deve ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas;

Para dengue: Pesquisa de antígeno NS1, presente nos primeiros dias da infecção. A partir do quinto dia de sintomas, o diagnóstico pode ser realizado através dos testes sorológicos para detecção de anticorpos, IgM (fase aguda de infecção) e IgG. Em pacientes que já tiveram dengue anteriormente, com alguma frequência a IgG é detectada e a IgM não. Confirmação pode ser realizada por RT-PCR.

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Como realizar o diagnóstico?

De acordo com a membro consultora da SBI, a primeira etapa deve ser sempre o histórico do paciente.

“Sintomas como febre, tosse, coriza são frequentes tanto na covid-19 quanto na influenza, sendo bem menos na dengue. A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é a complicação grave mais comum, tanto na covid-19 quanto na influenza. Diarreia não é rara na covid-19 e em crianças com dengue, mas também ocorre em adultos. Já náuseas e vômitos também podem ocorrer nas três enfermidades. As três podem ser acompanhadas de episódios de dor no corpo, cefaleia e febre. Dor articular também pode estar presente nas três enfermidades, porém é mais comum na dengue. Neste caso, precisamos também pensar em chikungunya, bastante frequente no país e também transmitida pelo Aedes aegypti. Se ainda há risco epidemiológico de febre amarela esta deve entrar no diagnóstico diferencial”, explicou Vergara.

A infectologista também ressaltou que a dor retro-orbitária ocorre mais comumente em casos de dengue, assim como dor abdominal – sendo sinal de gravidade.

“Exantema ou rash cutâneo é frequente em casos de dengue, mas não costuma ser sintoma inicial. Prurido, principalmente de palmas das mãos e plantas dos pés, pode acompanhar ou suceder o rash cutâneo e muitos pacientes evoluem com descamação dessas áreas. Já estão descritas muitas manifestações dermatológicas na covid-19”, destacou Vergara.

A especialista lembrou ainda que como estamos vivendo num contexto epidemiológico que inclui a presença das três enfermidades, a investigação diagnóstica deve incluir todas as possibilidades, inclusive a tripla infecção. “Em geral, ela deve ser realizada de forma escalonada, levando em conta se o quadro clínico favorece mais uma ou outra hipótese”, concluiu Vergara.

*Esse artigo foi recentemente atualizado por Raissa Moraes, infectologista da equipe médica da PEBMED.

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