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Tumor de Wilms: cirurgia minimamente invasiva pode ser tão eficaz quanto segura?

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A taxa geral de sobrevida de crianças com tumor de Wilms (TW) tem permanecido em torno de 90% nas últimas décadas. No protocolo da International Society of Pediatric Oncology (SIOP), o padrão-ouro para a terapia é a nefrectomia total aberta, precedida por quimioterapia neoadjuvante.

No entanto, não é raro o aumento da morbidade, como o risco de complicações relacionadas à adesão e a presença de cicatrizes, alterando a qualidade de vida dos sobreviventes em longo prazo.

médico endoscopista participando de cirurgia minimamente invasiva para tumor de wilms

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Cirurgia minimamente invasiva no tumor de Wilms

Atualmente, os riscos são mais baixos com cirurgias minimamente invasivas (CMI). Os protocolos atuais têm focado na redução desses riscos, mantendo, ao mesmo tempo, excelentes resultados. O uso da CMI foi descrito, pela primeira vez, em 2004, por Duarte, e já existem mais de 100 relatos desta técnica na literatura. Todavia, há relatos de dificuldades, particularmente devido à amostragem linfonodal e ao risco de recorrência.

Dessa forma, o protocolo UMBRELLA SIOP-RTSG 2016 Wilms tumor definiu critérios para indicações e contraindicações da CMI no TW. As contraindicações incluem infiltração de estruturas extrarrenais, extensão além da borda lateral da coluna vertebral, presença de trombo venoso e pouca experiência em nefrectomia laparoscópica.

No recente artigo de revisão intitulado Minimally invasive surgery for unilateral Wilms tumors: Multicenter retrospective analysis of 50 transperitoneal laparoscopic total nephrectomies, pesquisadores investigaram a viabilidade e os resultados da CMI no TW. O estudo foi publicado no jornal Pediatric Blood & Cancer.
Bouty e colaboradores realizaram uma revisão internacional multicêntrica das nefrectomias totais por CMI para TW entre 2006 e 2018. Os registros médicos confirmados de TW foram avaliados retrospectivamente quanto a dados demográficos, de imagem, tratamento, patologia e resultados oncológicos.

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Metodologia

Foram incluídos no estudo 50 pacientes de dez centros. A idade mediana desses pacientes foi de 38 meses (6-181). Todos eles receberam quimioterapia neoadjuvante, conforme protocolo da SIOP. A mediana do volume tumoral pós-quimioterapia foi de 673 mL (18-3331). Dezesseis tumores cruzaram a borda lateral da coluna vertebral e três cruzaram a linha média. Seis pacientes com tumores que cruzavam a borda lateral da coluna vertebral, cujos volumes eram de 1560 mL (299-2480) foram convertidos para uma abordagem aberta. Não houve ruptura tumoral intraoperatória.

Resultados

No geral, a CMI foi concluída em 19% das 195 nefrectomias para TW, que se apresentaram durante o período do estudo. O tumor foi estágio I em 29, II em 16 e III em cinco pacientes. A histologia foi relatada como baixa em três, intermediária em 42 e de alto risco em cinco pacientes. Três pacientes apresentaram margens tumorais positivas.

Após um acompanhamento médio de 34 meses (2-138), houve duas recorrências locais (estágio I, risco intermediário, sete e nove meses após a cirurgia) e uma recidiva metastática (estágio III, alto risco, quatro meses após a cirurgia). A sobrevida livre de eventos (SLE) em três anos foi de 94%.

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Conclusões

Os pesquisadores concluíram que a CMI pode ser usada com segurança em cerca de 20% dos casos de TW, sem ruptura intraoperatória e uma SLE em três anos de 94%. Embora esses tumores sejam menores e com estágios mais baixos do que os relatados, houve apenas 4% de recidiva local.

Os autores, no entanto, destacam que a vigilância contínua é necessária para avaliar melhor os riscos e benefícios dessa técnica em longo prazo, à medida que as indicações e as equipes treinadas se expandem.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Bouty A, Blanc T, Leclair MD et al. Minimally invasive surgery for unilateral Wilms tumors: Multicenter retrospective analysis of 50 transperitoneal laparoscopic total nephrectomies. Pediatr Blood Cancer. 2020;e28212
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