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mulher com enxaqueca, com as mãos na cabeça e olhos fechados

Ubrogepant: nova geração de drogas no tratamento da enxaqueca aguda

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A terapia abortiva da enxaqueca varia desde o uso de analgésicos simples, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou paracetamol a triptanos, antieméticos ou a di-hidroergotamina (esta última menos usada).

Abordagem da enxaqueca

A abordagem farmacológica da enxaqueca é direcionada principalmente pela gravidade dos ataques, presença de náusea e vômito associados, ambiente do tratamento (ambulatório ou hospitalar) e fatores específicos do paciente, como a presença de fatores de risco vasculares.

O uso dos antagonistas do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) tem sido estudado para prevenção de enxaqueca (exemplos: erenumab, fremanezumab, galcanezumab e ubrogepant). O erenumab (comercialmente registrado como Pasurta) foi aprovado no último ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Food and Drug Administration (FDA) aprovou o ubrogepant (Ubrelvy; Allergan) para o tratamento agudo de enxaqueca com ou sem aura em adultos, tornando-o o primeiro antagonista do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina oral (CGRP) para essa indicação.

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Porque o CGRP é alvo de pesquisas clínicas?

O CGRP tem um papel fundamental na fisiopatologia da enxaqueca. É um potente vasodilatador endógeno, localizado predominantemente em neurônios sensoriais e em terminações nervosas perivascular do sistema nervoso central. Em crises de enxaqueca, ele parece mediar a transmissão da dor trigeminovascular dos vasos intracranianos, bem como o componente vasodilatador da inflamação neurogênica.

É descrito a elevação dos níveis de CGRP no sangue venoso durante ataques de enxaqueca e que níveis elevados de CGRP foram normalizados em pacientes com enxaqueca após a administração do agonista do receptor de serotonina (sumatriptano), sugerindo que os triptanos possam agir para controlar a enxaqueca, pelo menos em parte, bloqueando a liberação de CGRP. Esses e outros dados estabeleceram que a liberação de CGRP desempenha um papel causal na crise de enxaqueca.

No último mês, a New England Journal of Medicine publicou um estudo multicêntrico, duplo-cego, controlado por placebo que incluiu 1672 pacientes com enxaqueca, aleatoriamente designados 1: 1: 1 para um 50 mg de ubrogepant (n = 556), 100 mg de ubrogepant (n = 557 ) ou placebo (n = 559). A randomização levou em consideração: resposta anterior a triptanos e uso de medicações preventivas.

Resultados do estudo

Entre os três grupos de doses, 19,2% dos pacientes no grupo de 50 mg de ubrogepant (P = 0,002, ajustado para comparação com o placebo), 21,2% dos pacientes no grupo de 100 mg de ubrogepant (P <0,001) e 11,8% dos pacientes no grupo placebo apresentaram ausência de dor 2 horas após a dose inicial. Às 2 horas, 38,6%, 37,7% e 27,8% dos pacientes nos grupos 50 mg, 100 mg e placebo tiveram melhora dos sintomas que mais os incomodavam, respectivamente.

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Eventos adversos leves dentro de 48 horas após a segunda dose inicial foram náusea (n = 44), sonolência (n=20) e boca seca (n=16), mais frequentes no grupo de 100 mg. Eventos adversos graves relatados dentro de 30 dias nos grupos que fizeram uso de ubrogepant, incluíram apendicite, aborto espontâneo, derrame pericárdico e convulsão; nenhum dos eventos ocorreu dentro de 48 horas após a dose.

São necessários mais estudos para determinar a durabilidade e a segurança do ubrogepant no tratamento da enxaqueca aguda e compará-lo com outros medicamentos para a enxaqueca.

De uma forma geral, há poucas evidências para orientar o uso dos antagonistas da CGRP em populações específicas (por exemplo, crianças, idosos e gestantes) e alguns especialistas orientam evitar o seu uso em indivíduos com alto risco de doença cardiovascular.

Esta droga (ubrogepant) ainda não está disponível para uso clínico no Brasil, mas, sem dúvida oferece promessa de futuras opções no tratamento para ataques agudos de enxaqueca. Trata-se de uma doença com alto grau de heterogeneidade genética, o que significa que a doença de todos os indivíduos não é a mesma. Para combatê-la, diferentes opções de tratamento são bem-vindas.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Dodick, D. W., Lipton, R. B., Ailani, J., Lu, K., Finnegan, M., Trugman, J. M., & Szegedi, A. (2019). Ubrogepant for the Treatment of Migraine. New England Journal of Medicine, 381(23), 2230–2241. doi: 10.1056/nejmoa1813049

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