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Antes da execução de uma cirurgia, o paciente é checado quanto ao uso de adornos por uma questão de segurança do procedimento cirúrgico. Grande parte das informações e condutas adotadas nos diferentes centros cirúrgicos são baseadas na informação boca a boca, sem nenhum respaldo do ponto de vista científico.

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Unhas postiças, apliques de cabelo e afins: devem ser retirados antes da cirurgia?

Visão atual

O uso de apliques de cabelo é uma destas questões que não possui fundamento técnico para ser retirado de rotina antes de procedimentos operatórios. Apesar de uma vasta busca na base de dados médicos MEDLINE, não foi possível encontrar nada que justificasse a retirada rotineira deste tipo de extensão capilar, excluindo aqueles que utilizam artefatos metálicos para a fixação dos mesmos. O argumento utilizado, na maioria das vezes, é que o material utilizado na confecção destas extensões é um polímero plástico inflamável e que o uso do eletrobisturi poderia iniciar uma combustão. Este tipo de argumento é bastante coerente quando estamos realizando procedimentos próximos ao local do implante, porém cirurgias abdominais estão fisicamente distantes e a probabilidade de um arco voltaico ultrapassar essa distância é praticamente nulo.

Não se pode esquecer que, em um campo operatório, possuímos inúmeros materiais inflamáveis (por exemplo: capa de microcâmeras, campos descartáveis, manta de aquecimento, dentre outros) e nem por isso deixamos de utilizá-los. A maior questão relacionada às extensões capilares é o aumento da incidência da taxa de úlceras de pressão na região occipital, questão esta que, na maioria das vezes, não é relembrada apesar de estudos comprobatórios.

Atualmente, a dinâmica elétrica e o conhecimento das falhas são melhor entendidos, com electrobisturis eletrônicos que fazem uma leitura constante da funcionalidade do eletrodo de retorno. Dessa forma, qualquer falha desarma automaticamente o aparelho. As placas, como são popularmente conhecidos os eletrodos de retorno, são adesivadas, bipartidas e permitem um controle quase que total das correntes de fuga. Como qualquer sistema elétrico, tais fugas podem ocorrer, porém são minimizadas com mesas cirúrgicas isoladas e pisos com isolamento elétrico. Realizar o aterramento da mesa cirúrgica, assim como do piso do centro cirúrgico, facilita a fuga de correntes por estas vias alternativas com melhor resistência e este hábito, comum no passado, é raramente observado nos dias atuais.

Do ponto de vista elétrico, um aparelho dentário metálico não removível não se difere de um piercing na língua. Ambos são excelentes condutores de eletricidade e estão contidos e expostos dentro da boca. Um paciente com aparelho não é questionado quanto à sua retirada, enquanto o piercing, por sua vez, deve ser retirado.

A lógica que prevalece nesta conduta é a do bom senso: quanto menor o número de adornos, melhor, inclusive aqueles que podem atrapalhar uma eventual intubação ou até mesmo se desalojar e causar uma broncoaspiração. Porém, o que devemos ter em mente é que algumas interpretações são exageradas e passadas entre os profissionais sem que seja feita uma análise dos fatos. Sinceramente, acredito que, caso seja impossível a retirada do adorno da cavidade bucal, o risco inerente à falha e à fuga elétrica será semelhante ao de um aparelho dentário.

Um outro ponto de dilema, porém de menor complexidade, é o uso de unhas coladas e esmaltes, já que não envolve piores danos ao paciente. Nos oxímetros iniciais, estes adornos realmente prejudicavam a leitura do oxímetro de pulso, no entanto, isto é mais raro nos dispositivos modernos, que permitem o uso em locais diferentes do leito ungueal.

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Além da questão relacionada a correntes elétricas, é preciso questionar se a permanência do adorno causará dificuldades técnicas e/ou infecciosas, que podem variar de acordo com o tipo e o local de procedimento realizado.

Para levar para casa

Todo cuidado é pouco durante o procedimento cirúrgico. Além dos riscos inerentes ao procedimento, não podemos desconsiderar outros riscos externos. No entanto, interpretações exageradas ou equivocadas não podem se sobrepor ao conhecimento científico. Em tempos de mídia social e aplicativos de mensagem, são comuns histórias anedóticas, geralmente associadas a imagens, que podem ser interpretadas como fatos sem que nunca tenham ocorrido e sem nunca serem questionadas.

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Referências bibliográficas:

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