Upadacitinibe no tratamento da espondilite anquilosante ativa refratária aos biológicos

Upadacitinibe atua inibindo a JAK1. Estudos apontam eficácia no tratamento de artrite reumatoide, mas e espondilite? Conheça estudo no artigo.

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O upadacitinibe (UPA) é um medicamento modificador do curso da doença (DMARD) sintético alvo-específico (tsDMARD), que atua inibindo a JAK1. Ele foi aprovado para o tratamento da artrite reumatoide (AR), com bons resultados. Além disso, estudos demonstram que esse medicamento também tem eficácia em outras artropatias inflamatórias, como artrite psoriásica (PsA) e espondiloartrites axiais (axSpA), incluindo a espondilite anquilosante (EA). 

O estudo SELECT-AXIS 1 demonstrou uma boa eficácia do UPA no tratamento da EA ativa virgem de biológicos (bDMARD), aliada a um bom perfil de segurança, com tempo de seguimento de até 2 anos.

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Nessa mesma linha, foi publicado recentemente o SELECT-AXIS 2, que avaliou o uso do UPA em pacientes com EA ativa refratários a bDMARD, incluindo anti-IL17A. 

Consulta pública para atualização do tratamento de espondilite anquilosante no SUS

Métodos

Trata-se de um estudo randomizado, duplo-cego, aberto e controlado por placebo, cujo objetivo primário era avaliar a eficácia (medida através da resposta ASAS40) na semana 14 de uso do UPA 15 mg/dia (vs. placebo), no tratamento de pacientes com EA ativa refratária aos bDMARDs (incluindo anti-IL17A). 

Para serem incluídos, os pacientes deveriam ter 18 anos ou mais, diagnóstico de EA pelos critérios modificados de Nova Iorque, doença ativa (BASDAI de 4 ou mais) e resposta inadequada, intolerância ou contraindicação a pelo menos 2 AINES e 1 bDMARD (anti-TNF ou anti-IL17A por 12 semanas ou mais).

Os pacientes em uso de AINEs ou corticoides deveriam estar com doses estáveis há pelo menos 14 dias antes da visita de baseline; aqueles que estavam em uso de DMARDs sintéticos convencionais (csDMARD) deveriam estar com doses estáveis há pelo menos 28 dias. Aqueles que receberam inibidores da JAK (iJAK) previamente ou que apresentavam anquilose da coluna foram excluídos. 

Resultados

Foram incluídos 420 pacientes de 119 centros em 22 países. Eles foram alocados de maneira aleatória para receber UPA 15 mg/dia (n=211) ou placebo (n=209). Desses, 98% e 97%, respectivamente, concluíram o seguimento de 14 semanas. 

A maioria dos pacientes incluídos eram refratários a um anti-TNF (aproximadamente 74%). Não houve grandes diferenças entre os grupos UPA e placebo, no que diz respeito às características basais. 

Os pacientes com UPA apresentaram maiores taxas de resposta ASAS40 na semana 14 (45% vs. 18%, p<0,0001), com uma diferença significativa a partir da 4ª semana do tratamento. Além disso, todos os parâmetros do BASDAI melhoraram. A resposta se manteve mesmo quando diferentes subgrupos foram analisados, como tipo de bDMARD prévio, níveis de PCR e diferentes regiões do mundo. 

Nenhuma nova preocupação com relação à segurança foi identificada. As taxas de eventos adversos foram elevadas em ambos os grupos (41% no grupo do UPA e 37% no grupo placebo).

Comentários

Os resultados apresentados no SELECT-AXIS 2 foram consistentes com aqueles apresentados no SELECT-AXIS 1, que incluiu apenas pacientes naïves de biológicos. Esses dados são interessantes, já que reforçam a ideia de que os iJAK podem ser medicações eficazes para pacientes com EA que apresentam falhas prévias aos bDMARDs, aumentando o repertório terapêutico para essa doença. 

Dentre as limitações deste estudo, temos a falta de comparadores ativos (que de algum modo podem contribuir para atenuar essas diferenças observadas), o desenho aberto e curto tempo de seguimento. Um estudo de extensão com duração de 90 semanas está em andamento para nos fornecer mais dados a respeito do tema. 

Os autores concluíram que o UPA na dose de 15 mg/dia foi mais eficaz que o placebo em pacientes com EA ativa refratária aos bDMARDs, durante o seguimento de 14 semanas.

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# van der Heijde, Baraliakos X, Sieper J, et al. Efficacy and safety of upadacitinib for active ankylosing spondylitis refractory to biological therapy: a double-blind, randomised, placebo-controlled phase 3 trial. Ann Rheum Dis. 2022;doi::10.1136/annrheumdis-2022-222608.