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Usar tubos com cuff ou sem cuff em neonatos?

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A intubação endotraqueal é um procedimento comum em unidades intensivas neonatais (UTIN), cujos riscos estão bem descritos. Alguns tubos endotraqueais (TET) possuem cuffs que podem ser inflados após a inserção desse para limitar vazamento ou broncoaspiração. Os TET com cuff vêm demonstrando, em crianças maiores e em adultos, redução do  vazamento de gases. Além disso, o cuff reduz as chances de troca de tubo, extubação acidental e exposição do profissional de saúde a anestésicos inalatórios durante a cirurgia.  

Devido a uma melhor compreensão da anatomia das vias aéreas de recém-nascidos (RN), o uso desses TET com guia por anestesiologistas está aumentando nessa faixa etária.

Saiba mais: Intubação endotraqueal pediátrica: quais são os dispositivos de aspiração?

cuff

Estudo

Com o objetivo de avaliar os benefícios e malefícios dos TET com cuff (inflados ou não) em comparação com os TET sem cuff em RN, pesquisadores conduziram uma revisão sistemática publicada na Cochrane em janeiro deste ano. As fontes de dados foram estudos do CENTRAL, PubMed e CINAHL. A pesquisa foi realizada em 28 de setembro de 2020 e atualizada em 20 de agosto de 2021 e identificou 4.060 resultados. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados de estudos sobre TET com e sem cuff em RN.  

Inicialmente, foram identificadas 625 referências sobre esse tema. Dessas, foram excluídos 615 estudos, restando apenas dez estudos para serem analisados. 

Resultados

Foi identificado um estudo elegível para inclusão, que comparou o uso de TET com cuff versus sem cuff. O autor desse ensaio clínico forneceu uma planilha com dados individuais. Foram avaliadas 76 crianças, sendo que 69 RN preencheram os critérios de inclusão e exclusão para esta revisão. Alguns viéses ocorreram, levando a evidência de certeza muito baixa para todos os resultados desta revisão. Isso ocorreu pois houve falta de cegamento e outros viéses, além do intervalo de confiança (IC) e razão de risco (RR) serem muito amplos por conta do pequeno tamanho da amostra para todos os desfechos.  

O estudo em questão foi incerto quanto: ao aumento do estridor pós-extubação (RR 1,36, IC 95% 0,35 a 5,25), reintubação devido a estridor ou estenose subglótica (RR 0,27, IC 95% 0,01 a 6,49), reintubação por qualquer outro motivo (RR 0,06, IC 95% 0,01 a 0,45), extubação acidental (RR 0,82, IC 95% 0,12 a 5,46) e mortalidade durante a hospitalização (RR 2,46, IC 95% 0,10 a 58,39), lembrando que todas essas análises são evidências de muito baixa qualidade devido ao IC e RR amplos.

Dois outros estudos ainda estão em análise, pois o desfecho não foi relacionado a dados específicos para neonatos. 

Duas revisões sistemáticas em crianças não encontraram diferença no estridor entre pacientes com ou sem cuff. Um estudo de 2017 encontrou uma taxa estatisticamente significativamente menor de troca de tubo no grupo de pacientes com cuff.  

Em 2016, uma revisão sistemática foi publicada comparando crianças com TET com e sem cuff. Essa revisão incluiu dois estudos clínicos randomizados e dois estudos de coorte prospectivos, num total de 3.782 pacientes. Os autores relataram que o uso de TET com cuff não mostrou diferença na incidência de estridor pós-extubação, nem menor chance de troca de TET. Além disso, não houve diferença na taxa de reintubação após as extubações planejadas e a duração da intubação traqueal. 

Leia também: Revisão sistemática e metanálise sobre o uso da dexmedetomidina em UTI Pediátrica

Conclusão  

As evidências para comparar TET com e sem cuff em neonatos são limitadas devido ao número pequeno de pacientes incluídos nos estudos. 

Há evidência de certeza muito baixa para todos os resultados desta revisão, pois o RR e o IC foram muito amplos.  

Essa revisão sistemática nos faz ter a certeza de que mais estudos clínicos randomizados são necessários para avaliar os benefícios e malefícios dos tubos com cuff na população neonatal.

Referências bibliográficas:

  • Dariya V, Moresco L, Bruschettini M, Brion LP. Cuffed versus uncuffed endotracheal tubes for neonates. Cochrane Database Syst Rev. 2022;1(1):CD013736. Published 2022 Jan 24. doi: 10.1002/14651858.CD013736.pub2 
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