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Uso da ayahuasca é seguro e eficaz no tratamento da depressão?

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Pesquisadores brasileiros conseguiram demonstrar os benefícios da ayahuasca em pacientes com depressão. Os resultados foram publicados em março deste ano no periódico Psychological Medicine.

Embora estudos anteriores já tenham apontado para esse resultado, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade de São Paulo (USP) obtiveram êxito em mostrar os benefícios do alucinógeno chamado ayahuasca em um estudo duplo-cego randomizado e controlado com placebo.

Metodologia aplicada

Foram selecionados 29 pacientes entre 18 e 60 anos de idade com transtornos depressivos que apresentavam resposta inadequada a, pelo menos, duas classes de antidepressivos. Os participantes foram recrutados no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN), em Natal, no Rio Grande do Norte.

Durante o estudo, 14 participantes receberam uma dose única da ayahuasca (1 ml/kg) e 15 receberam placebo. Eles foram aleatoriamente designados (1: 1) para receber ayahuasca ou placebo usando blocos permutados de tamanho 10. Todos os investigadores e os pacientes eram cegos para a atribuição de intervenção, que foi mantida somente no banco de dados e com os administradores de farmácia.

O mascaramento foi ainda alcançado, garantindo que todos os pacientes ingênuos à ayahuasca e ao atribuir aleatoriamente, para cada paciente, psiquiatras diferentes para a sessão de dosagem e para o acompanhamento Assessments.

Após a triagem, os pacientes ficaram em média duas semanas sem tomar os seus antidepressivos. Os autores avaliaram efeitos agudos até quatro horas após o consumo. Mudanças na gravidade da depressão foram avaliadas por meio das escalas Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale (MADRS) e Hamilton Depression Rating Scale ao início do estudo e um, dois e sete dias após a sessão.

Efeitos adversos

Os pesquisadores não constataram nenhum evento adverso grave, apesar da maioria dos pacientes ter sentido náusea e cerca de 57% vomitaram. Os escores MADRS foram significativamente menores no grupo que recebeu a ayahuasca do que no grupo placebo no primeiro, no segundo e no sétimo dias após o experimento.

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Foram encontradas taxas de resposta altas nos dois grupos, mas houve diferença significativa no sétimo dia: 64% dos que receberam o alucinógeno responderam contra 27% no grupo placebo. As altas taxas de resposta também entre os que não receberam ayahuasca podem, segundo os autores, ser resultado do conforto e do apoio que os participantes receberam (“efeito do cuidado”), mas também podem estar relacionadas à elevada prevalência de transtorno de personalidade na amostra (76%). A taxa de remissão mostrou tendência para significância no sétimo dia: 43% no grupo ayahuasca contra 13% no placebo.

Ayahuasca

A ayahuasca é uma bebida tradicionalmente utilizada para cura espiritual em cerimônias realizadas pelas populações indígenas da Bacia Amazônica. Na década de 1930, começou a ser usada em ambientes religiosos de pequenos centros urbanos brasileiros, alcançando cidades na década de 1980 e se expandindo para várias outras partes do mundo. No Brasil, a ayahuasca tem um status legal para uso ritual desde 1987.

Os efeitos psicológicos agudos da ayahuasca duram cerca de quatro horas e incluem intensa percepção, cognitiva, emocional e afetiva a mudanças. Embora casos de náuseas, vômitos e diarreia sejam frequentemente relatados, a evidência de montagem aponta para um perfil de segurança positivo da ayahuasca. Por exemplo, a ayahuasca não é viciante e não está associada à psicopatologia, personalidade ou cognitivo de deterioração, promovendo apenas sintomas simpaticomiméticos efeitos.

Nas duas últimas décadas, avaliações de saúde mental de os consumidores de ayahuasca mostraram função cognitiva preservada, aumento do bem-estar, redução da ansiedade e sintomas depressivos quando comparados aos consumidores de não-ayahuasca. Além disso, um recente estudo observou que uma dose única de ayahuasca aumentava capacidades relacionadas à atenção plena e a meditação práticas tem sido associada a efeitos antidepressivos.

Próximos passos

Para os pesquisadores responsáveis, esse trabalho é o primeiro passo para o desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da depressão.

“Não podemos assegurar ainda que a ayahuasca pode ser usada como tratamento para depressão porque ainda é necessário realizar mais estudos e testes com a substância. Vamos fazer novos ensaios clínicos em grupos populacionais maiores para o estabelecimento adequado da relação dose-resposta, determinação da dose e esquema terapêutico e perfil de segurança para contarmos com mais uma arma eficaz no tratamento da depressão”, afirmaram.

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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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