Geriatria

Uso de bifosfonados por tempo prolongado traz benefício?

Tempo de leitura: [rt_reading_time] minutos.

O uso de alendronato é a medida farmacológica com melhor evidencia para evitar fraturas em mulheres com osteoporose. A recomendação mais usada e recomendada pela Cochrane é que seu uso dure cerca de 1 a 4 anos, sendo o mais comum o período de 2 anos. Entretanto, qual benefício traria uma tratamento mais duradouro?

Um trabalho com dados da Women’s Health Initiative comparou a incidência de fraturas em mulheres com cerca de 80 anos (97% delas tinham mais que 70 anos) que usavam bifosfonatos por 2 anos e outras que usariam por mais tempo, sendo a duração variável entre 2 e 13 anos. Os grupos foram selecionados respeitando a média de idade de 80 anos, mesmo entre as que usavam há mais tempo.

Foram consideradas fraturas de quadril, coluna vertebral (exceto cervical), pulso e antebraço. É importante destacar que as pacientes de ambos os grupos tinham indicação clínica para uso de alendronato, pois apresentavam densidade óssea baixa.

A análise também foi diferenciada entre dois tipos de mulheres: as que já tinham tido fraturas após os 54 anos e as cujo risco de fratura em 5 anos foi de 1,5% ou mais de acordo com o Fracture Risk Assessment Tool (FRASK).

Foi comparada a incidência de fraturas entre mulheres que usavam bifosfonatos há:

– 2 anos
– 3 a 5 anos
– 6 a 9 anos
– 10 a 13 anos

Vitamina D e cálcio realmente evitam fraturas?

Viu-se que quando se utiliza bifosfonatos por mais de 2 anos o risco de fratura não é reduzido e que quando o uso supera os 9 anos, o risco aumenta. Esses dados foram encontrados tanto entre as mulheres com história de fratura após os 54 anos, quanto entre as que foram selecionadas por terem risco de fratura alto (> 1,5% em 5 anos).

Esse aumento de risco ocorreu para fratura de coluna e quadril, mas não para fratura de pulso e antebraço, resultado para qual os pesquisadores não encontraram justificativa. Para incidência de fratura de quadril, por exemplo, o valor quase dobrou de 6,5 (para 2 anos de uso) para 12,2 (para 10 anos de uso) a cada 1.000 mulheres.

Assim, os autores sugerem que o uso prolongado de bifosfonatos deve ser sempre reavaliado, para que não passe a ter impacto negativo sobre os pacientes. Assim também deve ser avaliado como será a condução do caso a longo prazo, para que tratamentos duradouros em mulheres com alta expectativa de vida não levem a iatrogenia.

É médico e também quer ser colunista da PEBMED? Clique aqui e inscreva-se!

Autora:

Referências:

  • Long-Term Oral Bisphosphonate Therapy and Fractures in Older Women: The Women’s Health Initiative ; Journal of the Americans Geriatrics Society, 2017
Compartilhar
Publicado por
Luma Beatriz Peril

Posts recentes

ACSCC 2021: autonomia do residente, a próxima fronteira da educação cirúrgica 

Uma das mesas redondas inaugurais do ACSCC 2021 abordou uma das temáticas centrais em educação…

44 minutos atrás

Prevalência de anafilaxia por amendoim em uma coorte: European Anaphylaxis Registry

Na faixa etária pediátrica e em adultos jovens, um alimento comumente relacionado às alergias alimentares…

2 horas atrás

É necessário realizar ultrassom obstétrico de rotina no terceiro trimestre de gestação?

Nas últimas décadas tem-se aumentado a facilidade de solicitar ultrassom obstétrico, mas o quão necessário…

4 horas atrás

Orientações da nova diretriz de manejo da ascite e complicações na cirrose

Recomendações da diretriz da Associação Americana para Estudo das Doenças do Fígado (AASLD) sobre o…

22 horas atrás

Uso de amoxicilina para o tratamento de infecções torácicas em crianças apresenta poucos efeitos

Há poucas evidências sobre a eficácia dos antibióticos prescritos infecções não complicadas do trato respiratório…

2 dias atrás

Whitebook: sangramento vaginal

Essa semana em nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision vamos falar…

2 dias atrás