Uso de contraceptivos antes e depois do diagnóstico de diabetes

Tempo de leitura: 3 min.

O diabetes mellitus mal controlado é um fator complicador para a saúde do binômio materno fetal. Uma mulher que inicia sua gestação sem planejamento, com um mau controle glicêmico dispara uma série de fatores de risco para si e para o embrião, futuro feto:

  • aborto espontâneo;
  • malformações cardíacas;
  • distúrbios do líquido amniótico (sendo o polidrâmnio o mais comum);
  • aumento da prevalência de síndromes hipertensivas;
  • transtornos do crescimento fetal (macrossomia);
  • óbito fetal de causa inexplicada por volta da 36ª semana;
  • distócias no período expulsivo;
  • lesões fetais por assistência necessária em fetos macrossômicos;
  • aumento da frequência de infecções durante a gestação (candidíase, urinárias).

Diante desse panorama, o bom controle glicêmico pré-concepcional é fundamental para o início, transcorrer e finalização de uma gestação tranquila.

Leia também: Mulheres com níveis mais altos de testosterona endógena têm risco para diabetes tipo 2?

Estudo recente sobre diabetes e contraceptivos

Um estudo publicado em março de 2021 na Science Direct, avaliou no período de 2000 a 2014, mulheres de 15 a 49 anos não gestantes. Nessa coorte de 75 mil mulheres com diagnóstico recente de diabetes e 7,5 milhões de mulheres com diagnóstico anterior já sabido de diabetes, os pesquisadores observaram que as mulheres com diagnóstico prévio de diabetes apresentaram menor probabilidade de uso de contraceptivos do que aquelas que tiveram seu diagnóstico feito recentemente.

A Associação Americana de Diabetes sugere que “paciente com diabetes e sem diabetes tem indicações de métodos contraceptivos bem semelhantes, portanto o planejamento familiar para o início de uma gestação com bom controle, ou para evitar a gravidez nesse momento devem ser oferecidos às pacientes de forma eficiente”. Entretanto algumas pacientes e até alguns clínicos adiam o aconselhamento sobre planejamento familiar até obter um bom controle glicêmico. Isso pode levar a uma gravidez indesejada, complicações durante a mesma ou até durante o parto.

Alguns pontos importantes a serem recomendados para as pacientes diabéticas que pensam em engravidar:

  1. Pré-concepção:
    • o bom controle glicêmico prévio a concepção vai reduzir o risco de abortos, mal formações, natimortalidade e morte neonatal;
    • apesar da redução do risco, não é possível eliminá-lo.
    • dieta, ganho de peso, regime de insulina (se estiver usando) devem ser orientados para o bom controle glicêmico antes e durante a gestação por profissionais habilitados a lidar com essas patologias.
    • Usar ácido fólico 5,0 mg ao dia para prevenção de defeitos do tubo neural.
    • Controle laboratorial com hemoglobina glicosilada prévio à gestação e durante o pré natal.
    • Atenção para a realização de ultrassonografias morfológicas de controle de malformações.

Saiba mais: ENDO 2021: conectando-se à tecnologia para um melhor atendimento ao paciente com diabetes

Com essas orientações, um bom planejamento com uso de métodos contraceptivos seguros, uma mulher diabética prévia ou que tenha descoberto seu diabetes recentemente, pode seguir seu pré-natal com tranquilidade, planejar seu parto na maturidade fetal e aproveitar esse momento tão importante na vida das mulheres.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Murray Horwitz ME, Pace LE, Schwarz EB, Ross-Degnan D. Use of contraception before and after a diabetes diagnosis: An observational matched cohort study. Prim Care Diabetes. 2021 Mar 17:S1751-9918(21)00037-1. doi: 1016/j.pcd.2021.02.012.
  • Diabetes in pregnancy: management from preconception to the postnatal period. London: National Institute for Health and Care Excellence (UK); 2020 Dec 16. PMID: 32212588. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng3
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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