Uso de estatina é associado ao desenvolvimento de Parkinson

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Novas evidências relacionam o uso de estatina ao desenvolvimento de Parkinson. A descoberta vai contra pesquisas anteriores que sugerem que a droga tem um efeito protetor para a doença.

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Para o novo estudo, pesquisadores analisaram uma base de dados com informações sobre cerca de 30 milhões de pessoas entre 40 e 65 anos, entre 01 de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2012. Destes indivíduos, 21.559 foram identificados como portadores de Parkinson com base em critérios de diagnóstico primário ou secundário, uso de medicação contra a doença ou cirurgia de estimulação cerebral profunda.

Na análise transversal, o uso de fármacos hipolipemiantes, incluindo estatinas ou outras drogas, foi associado a uma prevalência significativamente maior de Parkinson (OR 1,61-1,67; P <0,0001), após ajustes por sexo e comorbidades (hiperlipidemia, diabetes, hipertensão e doença arterial coronariana).

As associações de medicamentos que reduzem o colesterol com Parkinson foram mais fortes entre os pacientes com hiperlipidemia, e não houve diferenças significativas entre as estatinas lipofílicas ou hidrofílicas, bem como outras medicações hipolipemiantes.

Veja mais artigos sobre estatinas:

– Estatinas: os benefícios são maiores que os riscos?
– Enxaqueca: estatinas são uma opção viável de tratamento?
– Estatinas podem reduzir o risco de morte por câncer? Entenda
– Interação Medicamentosa: Claritromicina + Estatinas

Os pesquisadores fizeram também uma análise de acordo com o tempo em que os pacientes estavam recebendo tratamento, usando uma análise de caso-controle pareada de 2.458 pares de casos de Parkinson e controles.

Na análise transversal, estatinas e outras drogas que diminuem o colesterol foram associados à Parkinson, mas nesta análise de caso-controle, apenas as estatinas permaneceram significativamente associadas ao risco.

O maior risco foi associado ao período anterior ao início das estatinas (OR 1,93 para menos de 1 ano de uso; 1,83 para 1 a 2,5 anos; e 1,37 para 2,5 anos ou mais; P tendendo a <0001).

A literatura sugere que o colesterol mais alto está associado a resultados benéficos na doença de Parkinson, então, para os pesquisadores, é possível que as estatinas tirem essa proteção. Outra possibilidade é que as estatinas podem bloquear não só a síntese de colesterol, mas também a síntese de coenzima Q10, que é essencial para a função celular.

A médica Cristiane Borges Patroclo, mestre em Neurologia e Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia, dá sua opinião sobre o estudo:

“Os autores relacionam o uso de estatina ao desenvolvimento da doença de Parkinson. Seus resultados tornam a questão ainda mais controversa uma vez que publicações anteriores e uma metanálise recente sugerem papel protetor da medicação na doença.

Não se trata de interromper seu uso ou de evitar sua prescrição. Mas o artigo abre várias frentes de debate: o progressivo envelhecimento da população e o uso de estatinas nesses indivíduos, os benefícios da medicação sobre seus riscos (tema destacado recentemente pelo Medscape) e o metabolismo do colesterol na gênese da doença de Parkinson e de outras doenças degenerativas”, finaliza Dra. Cristiane.

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Referências:

  • BAI, Shuang et al. Statin Use and the Risk of Parkinson’s Disease: An Updated Meta-Analysis. PloS one, v. 11, n. 3, p e0152564, 2016.
  • COLLINS, Rory et al. Interpretation of the evidence for the efficacy and safety of statin therapy. The Lancet, 2016.
  • HUANG, Xuemei et al. Statins, plasma cholesterol, and risk of Parkinson’s disease: a prospective study. Movement Disorders, v. 30, n. 4, p. 552-559, 2015.
  • Statin Safety Claims in Lancet Reignite Acrimony, Scientific Divide. Medscape. Sep 22, 2016.
  • Statin Use Linked to Increased Parkinson’s Risk. Medscape. Oct 26, 2016.
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