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Uso de estatinas no tratamento do hematoma subdural crônico

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O hematoma subdural crônico (HSDC) é uma patologia comum nos serviços de neurocirurgia, com uma incidência de 3,4 por 100.000 nos pacientes com menos de 65 anos e 8 a 58 por 100.000 em pacientes com mais de 65 anos. Essa incidência vem aumentado e está relacionada diretamente ao envelhecimento da população e aos fatores comuns da idade, como: risco aumentado de quedas, atrofia cortical cerebral e uso de medicamento (agentes anticoagulantes e antiplaquetários). Apesar desse aumento, os métodos de tratamento não tiveram grandes variações ao longo dos anos. As técnicas cirúrgicas de drenagem são o tratamento padrão, embora a busca por uma terapia complementar conservadora eficaz seja objeto de pesquisa.

Na tentativa de não submeter alguns pacientes ao tratamento cirúrgico, já que alguns têm comorbidades associadas e não possuem condições clínicas para o procedimento anestésico e cirúrgico, alguns estudos relataram uso de corticosteroides, inibidores da enzima conversora de angiotensina, ácido tranexâmico como adjuvantes à cirurgia ou mesmo como monoterapia para o tratamento do HSDC.

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina inibiram o desenvolvimento de vasos sanguíneos novos e imaturos na neomembrana do hematoma. Embora estudos anteriores tenham relatado que os corticosteroides e o ácido tranexâmico podem ser benéficos na diminuição do hematoma.

Recentemente as estatinas, em especial a atorvastatina, têm sido relatadas como eficazes no tratamento da HSDC. A atorvastatina é um inibidor seletivo e competitivo da HMG-CoA redutase (hidroxi-3-metilglutaril-coenzima A redutase), a enzima limitante da velocidade que converte HMG-Co-A a mevalonato, um precursor de esteróis, incluindo o colesterol.

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As estatinas surgem com um novo método dentro do arsenal ao tratamento do HSDC. E assim compreendendo sua ação:

A administração de estatina reduz o volume de HSDC?

Reduzir o volume de hematoma é fundamental para o tratamento, especialmente para o tratamento conservador, com mais vantagens sobre a cirurgia. Estudos sugerem que atorvastatina com administração de 20mg/dia diminui o tamanho do hematoma.

A administração de estatina diminui a taxa de recorrência de HSDC?

Atorvastatina usada como adjuvante à cirurgia poderia diminuir significativamente os riscos de recorrência ou prolongar o tempo de recorrência do hematoma.

A estatina é eficaz no tratamento conjunto com o cirúrgico da HSDC?

Estudos sugerem que a atorvastatina produziu efeitos benéficos como droga adjunta à cirurgia. Os resultados mostraram que a atorvastatina poderia ser útil para a resolução do hematoma, favorecendo o uso no tratamento adjuvante.

A dose de atorvastatina pode ser útil para pacientes com HSDC com história de antiagregação plaquetária ou uso de anticoagulante?

Nenhuma diferença estatística foi encontrada na história antiplaquetária ou anticoagulante entre os grupos de atorvastatina e controle. Os pacientes em uso de aspirina apresentaram absorção do hematoma em 3 meses, no entanto, o grupo atorvastatina apresentou melhor prognóstico.

Qual é a dose e o período de uso da atorvastatina para pacientes com HSDC?

O tratamento com atorvastatina é recomendado para tratamento de conservador, devido à sua segurança, para pacientes assintomáticos ou levemente sintomáticos. Com a intervenção de atorvastatina por 1 a 6 meses, acelera a absorção do hematoma. Além disso, a atorvastatina não é usada apenas para o tratamento conservador, mas também como adjuvante no pós-operatório. Embora os estudos focados na eficácia da atorvastatina no tratamento da HSDC tenham sido publicados, nenhum relato de variação de dose foi encontrado. Dos estudos publicados, a ingestão oral de 20mg de atorvastatina por dia por 1 a 3 meses é a opção de tratamento.Uma meta-análise descobriu que a atorvastatina 80mg/dia pode aumentar o risco de hemorragia intracerebral. Nesta revisão, todos os estudos incluídos tomaram atorvastatina 20mg/dia como a intervenção e nenhum estudo relatou eventos adversos relacionados.

Qual o mecanismos do tratamento com atorvastatina no HSDC?

A HSDC geralmente vem do hematoma subdural agudo assintomático, que surge do sangramento de veias em ponte ou da ruptura arterial em um trauma leve ou moderado. O processo inflamatório subsequente e angiogênese são teorias para o crescimento do HSDC. O acúmulo de hematoma no espaço subdural ativa a reação inflamatória local e os fibroblastos se espalham sobre a superfície interna da neomembrana. Além disso, os vasos frágeis e imaturos das neomembranas podem sofrer micro-hemorragias repetidas, aumentando o hematoma. A atorvastatina provou ser não apenas um inibidor da inflamação localizada, mas também um agente de maturação da angiogênese, além dos efeitos de diminuição dos lipídios e redução do colesterol sistêmico.

Nesse contexto, compreendendo a ação do medicamento, não poderíamos supor que outras estatinas, como a sinvastatina, também apresentariam efeito similar?

A sinvastatina possui farmacocinética semelhante inibindo a atividade da HMG-CoA redutase, dessa forma poderia ser um opção para o tratamento do HSDC. Entretanto, há a necessidade de estudos que possam avaliar o uso da sinvastatina ou outras estatinas quanto a eficácia, o custo benefício, dosagem e tempo de tratamento do HSDC.

De acordo os estudos atuais publicados, a atorvastatina mostrou vantagens clínicas, podendo acelerar a resolução do hematoma, diminuir a taxa de recorrência, e reduzir a necessidade de procedimento cirúrgico. No entanto, apenas alguns estudos foram relatados até o momento. Evidências sugerem que a atorvastatina oral pode ser benéfica no manejo e prognóstico da HSDC. No entanto, novo estudos são necessário para definição do beneficio e da dose/tempo de tratamento.

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